BB e Caixa terão de se esforçar para ter juros menores

Pesquisa do BC mostra que bancos públicos praticam taxas muitas vezes superiores às dos concorrentes

Fernando Nakagawa, da Agência Estado

22 de janeiro de 2009 | 20h01

Para seguir à risca a nova ordem de que bancos públicos não podem ter juros maiores que os concorrentes privados, instituições como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal terão de se esforçar. Pesquisa do Banco Central mostra que bancos controlados pelo governo praticam taxas muitas vezes superiores às dos concorrentes particulares, principalmente no crédito para empresas. Entre as duas instituições, a Caixa costuma praticar juros mais competitivos que o BB.   Veja também: País registra perda recorde de 654 mil empregos em dezembro Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    De acordo com o levantamento feito entre os dias 5 e 9 de janeiro ponderado entre a taxa de juro e o volume emprestado, a pior desvantagem dos bancos públicos está no capital de giro prefixado. Nesse tipo de crédito muito usado para o financiamento das despesas de curto prazo das empresas, como pagamento de fornecedores, impostos e, eventualmente, salários, o BB pratica juro médio de 2,88% ao mês.   A taxa do banco federal é superior a do Itaú, Unibanco, ABN Amro Real, Santander e Safra. A Caixa, por sua vez, ganha desse grupo de privados ao cobrar, na média, 2,25%. Entre os grandes bancos, o Citibank é o mais competitivo, com taxa de 1,55%. Do outro lado da tabela, Bradesco e HSBC (4,79%) são os mais caros.   Em outra operação para as empresas, a conta garantida, a desvantagem dos públicos também é relevante. Nessa operação, que funciona como um cheque especial das empresas, o BB cobra juro médio de 5,38% ao mês. Entre 43 instituições que operam esse crédito, o banco federal pratica a 11ª taxa mais elevada. Nessa operação, o BB perde em competitividade do Bradesco, ABN Amro Real, Unibanco e Citibank. Entre os grandes, o BB tem juro mais baixo que o Itaú, Santander e o HSBC, que é o mais caro, com 8,65% ao mês.   Mesmo nas linhas em que bancos públicos são competitivos, como o Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), é possível melhorar a posição no ranking. Nessa operação muito usada por exportadores para o financiamento da produção, a taxa do BB é a 10ª mais baixa, com 0,72% ao mês. O juro, no entanto, é maior que o praticado nos privados Safra, Itaú BBA e Bradesco, o mais barato com juro de 0,54%.   Pessoa física - O financiamento para as famílias é o segmento em que bancos públicos têm mais competitividade. No crédito pessoal, por exemplo, Caixa (2,72%) e BB (2,92%) têm os juros mais baixos entre as grandes instituições. Nesse caso, os juros são quase a metade da média cobrada pelos maiores concorrentes: Itaú, Santander e Bradesco, cuja média varia entre 4,93% e 5,25%.   Essa vantagem, no entanto, é menor no cheque especial. A linha de crédito mais cara de todo o sistema financeiro nacional também é proibitiva nos bancos públicos. No período da pesquisa, o juro médio cobrado pelo BB ficou em 8,06% ao mês, maior que a praticada pelo Bradesco, de 7,66%. O juro do banco federal é, no entanto, menor que o visto nos concorrentes Itaú, Unibanco, ABN Amro Bank, Citibank, HSBC e Santander. Já a Caixa, tem o menor juro nessa operação entre os grandes bancos, de 6,69% ao mês.

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