BB espera expansão de crédito menor este ano

Banco reduziu projeção do crescimento do financiamento ao consumidor de 25% para 22%

Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2011 | 00h00

Diante da política monetária mais restritiva do Banco Central (BC) desde dezembro do ano passado, o Banco do Brasil (BB) já espera um crescimento menos vigoroso nos financiamentos ao consumidor. O presidente do Banco, Aldemir Bendine, disse ontem, durante café da manhã com jornalistas, que a instituição reduziu de 25% para 22% sua projeção de expansão do crédito para a pessoa física em 2011.

Apesar disso, segundo ele, o BB segue trabalhando com uma expansão do crédito de 17% a 20 em 2011. Isso porque, explicou, a redução no ritmo de crédito ao consumo será compensada por um aumento no financiamento aos investimentos. A maior oferta de crédito para as empresas ampliarem seus parques produtivos, segundo Bendine, atende à determinação da presidente Dilma Rousseff, que pediu "atuação forte como agente indutor do desenvolvimento do País" e "atenção especial no financiamento do investimento".

Bendine disse que não houve determinação do governo para que o crédito ao consumo fosse desacelerado este ano, para complementar o ajuste no nível de atividade econômica - feito pelo aperto monetário e também por uma política fiscal que o governo garante ser mais restritiva.

Segundo Bendine, o ritmo menor de crescimento previsto para o crédito ao consumo no BB se deve às recentes medidas de restrição ao crédito - elevação do compulsório bancário e desestímulo aos financiamentos de bens de consumo com prazos muito longos - e ao início do ciclo de alta da taxa básica de juro.

Em relação ao crédito para investimento, o executivo informou que estão em análise projetos de R$ 65 bilhões. Dessa demanda, o BB deve atender cerca de R$ 20 bilhões. Bendine salientou que a procura por crédito para investimentos está muito forte, mais do que o dobro do volume de R$ 30 bilhões em financiamentos nessa categoria em estoque na carteira do banco em setembro de 2010.

Com os R$ 20 bilhões que a instituição deve usar para projetos de investimento neste ano, o estoque deve subir bem, embora não se possa simplesmente somar este número ao estoque de R$ 30 bilhões em setembro, uma vez que ao longo do tempo também ocorrem pagamentos dos créditos concedidos.

Internacionalização. Bendine também disse que em 60 dias deve ser assinado acordo com o Banco Espírito Santo (BES) para iniciar operação em conjunto na África. Segundo ele, os primeiros países onde o BB deve operar em parceria com o BES devem ser Angola e Cabo Verde, embora Moçambique esteja no radar. A atuação do BB na África vai considerar a presença de cidadãos e companhias brasileiras e o fluxo de comércio com o Brasil.

Ainda sobre a internacionalização da instituição, o executivo disse que o BB está muito próximo de comprar um banco de pequeno porte nos EUA, que opera em um Estado com maciça presença de brasileiros.

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