BB inicia incorporação da Nossa Caixa em 180 dias

Cinco instituições começaram a avaliar a situação financeira do banco paulista e prazo leva em conta aprovação pela Assembléia Legislativa

Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

O Banco do Brasil (BB) acredita que a incorporação da Nossa Caixa pode ser iniciada em até 180 dias. A avaliação foi feita ontem pelo diretor de Estratégia e Organização do BB, Glauco Lima, que anunciou a contratação das instituições responsáveis por avaliar o valor de mercado do banco paulista. O prazo leva em conta a eventual aprovação do negócio pela Assembléia Legislativa de São Paulo.A partir de segunda-feira, técnicos do BB Banco de Investimento, Banco Fator, Citibank, UBS Pactual e da consultoria Accenture farão a avaliação das contas e da saúde financeira da Nossa Caixa. O trabalho vai determinar o valor de mercado do banco que pode ser incorporado pelo BB. Essas instituições têm 90 dias para entregar os números. De posse dos dados, a direção do BB e o governo de São Paulo se sentarão à mesa para tentar fechar o negócio. Após a eventual assinatura do contrato, um plano de integração tem de ser apresentado em 90 dias. Assim, a incorporação poderia começar em até 180 dias. "Esse é um cenário base; claro que os prazos podem ser um pouco maiores ou menores", disse Lima.O diretor do BB explica que os dois bancos avaliaram ser "mais prudente? contratar cinco instituições para a avaliação porque um eventual negócio com a Nossa Caixa é de grandes proporções, sem correspondente na história do BB.No trabalho que será feito nos próximos 90 dias pelas cinco empresas, técnicos avaliarão o alcance da sinergia entre os dois negócios, como a coincidência das redes de atendimento do BB e da Nossa Caixa no Estado de São Paulo e a sobreposição da base de clientes que, eventualmente, mantêm vínculo com as duas instituições.O interesse do BB pelo banco paulista foi anunciado no fim de maio como forma de o banco federal ganhar força diante dos concorrentes privados, que cresceram na última década com a compra e incorporação de instituições menores. Mas, para ser fechado, o negócio precisa da aprovação da Assembléia Legislativa paulista. Para isso, o governo de São Paulo deve encaminhar projeto de lei nas próximas semanas.Diante do anúncio das tratativas, instituições privadas, como Bradesco, Itaú, Unibanco, Santander e HSBC, reclamaram que uma eventual venda deveria ocorrer de forma aberta, por leilão. O pedido ocorre porque esses concorrentes privados do banco federal também têm interesse na instituição paulista. Nos bastidores, o governo paulista defende a venda direta ao BB. O argumento é que não há certeza de que um eventual leilão seja mais rentável para o Estado e, ao mesmo tempo, a venda aberta poderia fracassar como em tentativa recente de venda da Companhia Energética de São Paulo (CESP).

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