Montagem Estadão
Os cinco maiores bancos do País. Montagem Estadão

BB, Itaú, Bradesco, Caixa e Santander concentram 80,7% do crédito no País

Segundo relatório do Banco Central, no entanto, há sinais de 'aumento de competição bancária e redução de custos de crédito de outros serviços financeiros'

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2020 | 10h39

BRASÍLIA - As cinco maiores instituições financeiras do Brasil – Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander – concentram 80,7% das operações de crédito no País no segmento bancário, conforme dados divulgados nesta quinta-feira, 4, no Relatório de Economia Bancária (REB), do Banco Central (BC). Os números referem-se ao mês de dezembro de 2019. Em 2018, o porcentual era de 82,2%.

Essas cinco instituições concentram 79,2% dos ativos totais e 82,3% dos depósitos. Em 2018, os porcentuais eram de 79,5% e 82,8%, respectivamente.

No relatório, o BC avaliou que os indicadores de concorrência mantiveram "tendência de queda" iniciada em meados de 2017, sinalizando um "ambiente de aumento da competição bancária e redução de custos de crédito e de outros serviços financeiros".

"É importante também ressaltar que, nos doze meses encerrados em dezembro de 2019, houve redução do custo médio de captação, acompanhada de redução dos preços das novas operações de concessão de crédito, notadamente nas operações com pessoas jurídicas", acrescentou.

O documento mostra que o Índice de Herfindahl-Hirschman normalizado (IHHn), utilizado como instrumento na avaliação de níveis de concentração econômica, fechou o ano de 2019 em 0,1308 no segmento bancário no caso de ativos totais. Em 2018, ele estava em 0,1334.    

Em depósito total, o índice atingiu 0,1419 no fim do ano passado, ante 0,1447. Já o IHHn relacionado a operações de crédito do segmento bancário atingiu os 0,1427, ante 0,1530.  

O Banco Central considera mercados que registram valores para o IHHn situados entre 0 e 0,1000 como de “baixa concentração”. Entre 0,1000 e 0,1800, como no Brasil, ocorre “moderada concentração”. De 0,1800 a 1, o mercado é de “elevada concentração”.

Rentabilidade sobe e lucro bate recorde

A rentabilidade dos bancos brasileiros subiu no ano de 2019 e o lucro das instituições financeiras bateu novo recorde, segundo informações divulgadas do BC.

O chamado retorno sobre o patrimônio líquido do sistema bancário nacional alcançou 16,5% em dezembro do ano passado, contra 14,8% no fechamento de 2018, e retornou a patamares registrados em 2011.

No caso dos bancos de grande e médio portes, a rentabilidade foi maior ainda, atingindo 18,8% no final do ano passado. "Isso se deve, provavelmente, aos maiores ganhos de escala e diversificação, que permitem aos bancos grandes e médios captarem recursos com menor custo", informou o BC.

"A recuperação do ambiente econômico e a melhora da percepção de risco observada até final de 2019 criaram condições favoráveis para o crescimento da rentabilidade do sistema bancário ao longo do ano", informou o Banco Central.

De acordo com a instituição, o aumento da rentabilidade dos bancos decorreu principalmente da retomada do crédito, com alteração da composição das carteiras para segmentos mais rentáveis (PF e PME), que "implicaram aumento no valor do resultado de crédito bruto do setor bancário".

Além disso, acrescentou o BC, outro "fator importante" para a evolução da rentabilidade foi o aumento das receitas de serviços, que contou principalmente com o crescimento das rendas de mercado de capitais (colocação de títulos e corretagens).

De acordo com dados do BC, a rentabilidade do sistema bancário brasileiro está entre as maiores do mundo. O indicador brasileiro ficou abaixo, em 2019, da Argentina, do México e do Canadá, mas superou grande parte dos países desenvolvidos - como Estados Unidos, Itália, Reino Unido e Japão.

De acordo com o relatório do BC, o lucro líquido dos bancos se aproximou dos R$ 118 bilhões e bateu novo recorde no ano passado. A série histórica do Banco Central para este indicador começa em 1994.

O aumento da rentabilidade e do lucro dos bancos brasileiros acontece em um cenário de juros bancários elevados. Apesar de a taxa básica da economia, a Selic, estar no menor patamar da história (3% ao ano), as instituições financeiras ainda cobram taxas elevadas.

Apesar de a taxa básica de juros da economia brasileira ter recuado 6,5% ao ano no fim de 2018 para 4,5% ao ano no fechamento de 2019 – uma queda de dois pontos percentuais -, os juros bancários médios recuaram 1,6 ponto percentual no ano passado. Ou seja, as instituições não repassaram toda a queda da taxa Selic registrada no último ano.

Em algumas linhas de crédito, como cartão de crédito rotativo e no cheque especial das pessoas físicas, os juros bancários médios fecharam 2019 acima de 300% ao ano. Neste ano, o juro do cheque especial recuou para 119,3% ao ano (6,8% ao mês) em abril depois que o Banco Central impôs limite para essa taxa.

Dados do BC mostram que os cinco maiores conglomerados bancários do país detinham, no fim de 2019, 83,7% do mercado de crédito e com 83,4% dos depósitos totais. Os cálculos englobam bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial e as caixas econômicas.

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BC estima alta de 7,6% do crédito bancário em 2020 puxada por concessões a grandes empresas

De acordo com pesquisa, instituições financeiras esperam inadimplência de 5,9% no crédito para consumo em 2020 e de 2,3% no crédito habitacional para pessoas físicas

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2020 | 10h47

BRASÍLIA - O Banco Central alterou nesta quinta-feira, 4, por meio do Relatório de Economia Bancária (REB), projeções para o mercado de crédito brasileiro em 2020, na esteira dos efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia. A estimativa de alta para o saldo de crédito este ano passou de 4,8% para 7,6%. 

A projeção de crescimento do crédito livre em 2020 passou de 8,2% para 10,6%. No caso dos recursos direcionados (poupança e BNDES), a projeção foi de zero para alta de 3,5%.

Os porcentuais anteriores constaram no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em março deste ano. De acordo com o BC, excepcionalmente o REB divulgado hoje trouxe atualização para a projeção de crédito, “tendo em vista a mudança expressiva na conjuntura”.

No relatório desta quinta-feira, 4, o BC também pontuou que o aumento na estimativa do saldo de crédito reflete os impactos da pandemia do novo coronavírus.

“Em especial, a aceleração de concessões repercute, principalmente, a busca por recursos por parte de empresas em face à redução dos fluxos de caixa”, registrou o BC. “Ressalte-se, adicionalmente, que o movimento também está influenciado pelos efeitos das medidas que abrangeram o mercado de crédito, buscando mitigar danos econômicos causados pelo surto de covid-19.”  

Empréstimos para grandes empresas devem puxar as concessões

As instituições financeiras esperam que o saldo de crédito para as grandes empresas suba 2,8% em 2020, após retração de 8,5% registrada em 2019. No caso das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), a projeção das instituições é de alta de 5% do saldo de crédito este ano, ante elevação de 5,6% em 2019.

O relatório mostra ainda que as instituições projetam alta de 6,2% do saldo de crédito voltado ao consumo em 2020, abaixo dos 16,6% de 2019. Já o crédito habitacional, conforme as projeções, cairá 0,3% este ano, após alta de 6,6% no ano passado.  

“Ao longo de 2020, o comportamento da economia brasileira e do mercado de crédito bancário será severamente influenciado pelos efeitos econômicos resultantes da pandemia de covid-19, bem como pelas medidas adotadas para minimizá-los”, avaliou o BC no REB.

“Apesar de os efeitos dessa crise ainda não serem visíveis em sua totalidade sobre o mercado de crédito nos primeiros meses de 2020, espera-se impacto significativo ao longo dos próximos meses em virtude da elevação de incertezas nos ambientes externo e doméstico, que se traduzem em menor perspectiva de crescimento econômico e elevação de prêmios de risco”, acrescentou a instituição.

Inadimplência também deve subir

Na esteira dos efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia, as instituições financeiras esperam que a inadimplência no crédito em 2020 atinja 2,8% entre as grandes empresas e 4,9% entre as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME).

De acordo com a pesquisa, as instituições financeiras esperam inadimplência de 5,9% no crédito para consumo em 2020 e de 2,3% no crédito habitacional para pessoas físicas (PF).  

“Excetuando-se o crédito habitacional para PF, em todos os segmentos analisados, a mediana das expectativas de variação do saldo para 2020 é positiva, contudo, decorrente principalmente da necessidade de crédito por parte das empresas e famílias para complementar a renda que apresentou uma redução nesse período”, registrou o BC, ao analisar as estimativas das instituições para 2020.

A coleta para a PTC – a segunda do ano – foi realizada entre 27 de abril e 5 de maio. “Nesse período, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia declarado a situação de pandemia, e o Brasil apresentava um quadro de isolamento social”, lembrou o BC.

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