BB já avalia queda em taxas de fundos

Redução da taxa básica de juros para 9% faz caderneta de poupança ficar ainda mais atrativa e pressiona bancos e o próprio governo

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2012 | 03h07

O Banco do Brasil é a primeira grande instituição financeira de varejo que reconhece estar analisando uma possível redução na taxa de administração dos fundos de investimento por causa da concorrência com a caderneta de poupança.

"Com a Selic (juro básico da economia) em 9% ao ano, ficamos no limiar da competitividade", afirmou ao Estado o presidente da BB DTVM, braço do banco responsável pela gestão de recursos de terceiros, Carlos Takahashi. Segundo ele, se as alterações realmente ocorrerem, serão concentradas no valor da aplicação mínima dos fundos.

Ou seja, investidores que hoje são obrigados a colocar seu dinheiro em fundos com taxas mais altas poderão migrar para outros que comem uma parcela menor dos ganhos. Na prática, é quase o mesmo que baixar a taxa de administração.

Na avaliação do executivo, o Banco Central (BC) deixou a porta aberta para outros cortes do juro básico no comunicado divulgado após a reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom). "Com isso, vamos observar o cenário até o próximo encontro para definir se haverá alguma mudança", disse.

Como observou Takahashi, a diminuição da Selic para 9% aumentou fortemente a competitividade da poupança em relação aos fundos de investimento de renda fixa e DI, os preferidos dos brasileiros. Por lei, a caderneta tem uma rentabilidade mínima, isenta de impostos, de 6,17% ao ano. Além disso, incide sobre a aplicação a Taxa Referencial (TR). Hoje, isso significa um ganho anual na faixa de 7,5%.

Cálculo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que, com a Selic a 9%, os fundos de renda fixa só são mais rentáveis do que a poupança em quatro de 20 cenários analisados.

São eles: fundo com taxa de administração de 0,50% ao ano aplicado pelo período de 6 meses a um ano (IR de 20%), um ano a dois anos (IR de 17,5%) e acima de dois anos (IR de 15%); além de fundos com taxa de 1% aplicados por mais de 2 anos.

O professor de Finanças do Insper Otto Nogami avalia que algo precisa ser feito em relação à poupança. Mas reconhece que a solução não é simples. Tanto pelo fator político/eleitoral quanto pela questão técnica.

"Não podemos esquecer que o dinheiro da poupança é o funding do crédito imobiliário. Além disso, a caderneta é considerada o mais seguro dos investimentos. Qualquer mudança será traumática." Procurados, Itaú, Bradesco, Santander, HSBC não quiseram comentar o assunto.

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