BB negocia a compra de parte de banco chileno

Intenção do banco estatal brasileiro é ser um grande sócio minoritário do CorpBanca, a quinta maior instituição financeira por ativos no Chile

Fernando Nakagawa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

O Banco do Brasil está perto de concluir a negociação para ser o novo acionista do chileno CorpBanca, a quinta maior instituição financeira por ativos naquele país. A intenção do BB é ser um grande sócio minoritário, provavelmente o maior deles no banco.

No edifício sede do CorpBanca, no elegante bairro de Las Condes, em Santiago, funcionários já tratam a operação como "fusão" entre as duas casas. A expectativa pelo fechamento do negócio inflou as ações do CorpBanca na Bolsa de Santiago, que saltaram quase 10% em dois dias e já acumulam valorização de 26% em setembro.

Procurados, representantes do banco chileno não quiseram falar sobre o assunto. "CorpBanca não vai se pronunciar publicamente sobre essa eventual negociação com o Banco do Brasil", disse o porta-voz da instituição chilena Daniel Gómez, que também não negou as conversas.

Segundo ele, por enquanto só existem rumores no mercado. "Se surgir algo oficial, avisaremos oportunamente", informou. No BB, em Brasília, a posição é idêntica. A assessoria de imprensa da instituição informou que não vai se pronunciar sobre o assunto.

O Estado conversou com funcionários do CorpBanca em Santiago que, informalmente, admitem o andamento das negociações. Executivos e advogados das duas instituições estariam tendo reuniões frequentes em Santiago e São Paulo.

Fatia. As conversas do BB são realizadas com a família Saieh, em especial com o empresário Alvaro Saieh. Segundo a agência de classificação de risco Fitch, ele e a família são os principais acionistas do CorpBanca, com cerca de 39% do capital. Essa participação acontece por meio do Corp Group Banking (CGB), um fundo de investimento em que Saieh é o principal investidor. Essa carteira possui 49,59% das ações da instituição.

A família também tem participação via Compañia Inmobiliaria y de Inversiones Saga, controlada pelos Saieh e que tem 9,21%. Os 41,2% restantes são divididos por investidores chilenos e estrangeiros.

O jornal chileno Diario Financiero publicou na edição de ontem uma reportagem em que afirma que a entrada do Banco do Brasil no capital do CorpBanca poderia acontecer com aumento de capital, e não com a venda de ações existentes. Esse modelo, segundo a reportagem, é o preferido pela família Saieh, já que permitiria a entrada de um novo sócio sem que os atuais controladores perdessem o poder.

O CorpBanca é uma instituição de porte médio, que opera em quase todos os segmentos bancários.

PARA LEMBRAR

Negócio é parte do plano de ir para o exterior

Além do Chile, o Banco do Brasil negocia a entrada em outros mercados. Na América do Sul, o BB avalia bancos no Peru, Colômbia, Uruguai e Paraguai. Nos EUA, tenta concluir a compra de uma ou duas instituições financeiras de pequeno porte nas regiões com forte presença da comunidade brasileira, como Nova York, New Jersey, Boston e Flórida.

O esforço do BB em ter braços internacionais foi deflagrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2009, ele cobrou que o banco acompanhasse trabalhadores brasileiros e empresas nacionais na América Latina, EUA, África e China. O BB já comprou o controle do Banco Patagônia e fechou parceria com o Bradesco e o Banco Espírito Santo.

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