BB paga R$ 3,75 bi por Votorantim à vista e o resto em 6 meses

Pagamento será efetivado após a aprovação pelo Banco Central; negócio trará lucro adicional de R$ 0,03/ação

Fernando Nakagawa e Ana Paula Ribeiro, da Agência Estado,

12 de janeiro de 2009 | 12h02

O Banco do Brasil espera a aprovação do Banco Central (BC) para realizar o pagamento de R$ 3,75 bilhões ao Votorantim. Outros R$ 450 milhões serão desembolsados após seis meses. Ao todo, a instituição pública pagará R$ 4,2 bilhões pela compra 50% do capital total do Banco Votorantim e 49,99% do capital votante.   O acordo assinado entre os dois bancos prevê, no entanto, que o valor que será pago ao Votorantim poderá sofrer um ajuste, para mais ou menos, de até R$ 840 milhões. O preço exato será definido em nova "due diligence". "Os R$ 840 milhões ficarão retidos no Banco do Brasil por quatro meses a partir da data de fechamento e liquidação", disse o executivo.   Desse total, R$ 3 bilhões serão destinados diretamente à Votorantim Finanças S.A., holding que controla o banco da família do empresário Antônio Ermírio de Moraes. Outros R$ 1,2 bilhão serão utilizados no aumento de capital do Banco Votorantim.   Segundo apresentação enviada ao mercado pelo BB nesta segunda-feira, em cerca de 15 dias o banco federal deverá fazer a entrega do protocolo da documentação junto ao BC. Após a aprovação da autarquia, o pagamento será efetuado. A instituição espera que a liquidação financeira ocorra em abril.   O BB estima ainda que a operação traga um lucro adicional de R$ 0,03 por ação. Dessa forma, o lucro por ação passaria de R$ 2,76 para R$ 2,79, crescimento de 1,2%. A estimativa não leva em conta eventuais sinergias. A conta foi feita levando em conta o lucro das duas instituições nos 12 meses encerrados em setembro de 2008, o número de ações do BB e o custo de oportunidade da operação.   O Votorantim, porém, não poderá fazer uso imediato dos recursos. Do pagamento de R$ 3,75 bilhões previsto para abril, R$ 3 bilhões ficarão depositados e serão sacados gradualmente nos prazos de 6 meses, 12 meses e 18 meses, segundo afirmou o vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores do BB, Aldo Luiz Mendes. "Isso dará um suporte ao caixa da companhia", afirmou há pouco em teleconferência a investidores.   Crédito   Mendes acrescentou ainda que o BB irá fornecer ao Banco Votorantim uma linha de crédito específica. Dessa forma, a instituição privada terá acesso aos chamados recursos de menor custo do BB (depósitos à vista, de poupança e judiciais). O executivo espera ainda que a própria parceria entre os dois bancos faça com que o Votorantim consiga no mercado um custo de captação menor e com prazos mais longos.   O diretor-financeiro do Banco Votorantim, Marcelo Parente Vives, informou durante a teleconferência que o custo de captação médio da instituição está em 103% do CDI. No entanto, não esclareceu se essa taxa sofreu elevação recente.   Pedro Carlos de Mello, da Unidade de Contadoria do BB, explicou ainda que apenas a parcela de R$ 750 milhões, que será distribuída como dividendos à Votorantim Financeira, está sujeita à amortização de ágio. Como não foi feita a aquisição do capital total do Banco Votorantim, o ágio poderá ser aplicado apenas sobre a parcela referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ou seja, sobre 15% dos R$ 750 milhões, o que resultaria em um efeito fiscal de R$ 112,5 milhões. O contador não soube dizer em qual prazo essa amortização de ágio será feita.   Novas dívidas   O Banco do Brasil não descarta emitir novas dívidas para aumentar o índice de Basileia após o negócio com o Banco Votorantim. A informação foi dada pelo diretor de gestão de riscos do banco, Renê Sanda, em teleconferência com investidores. Após a incorporação da Nossa Caixa e o negócio com o Votorantim, o BB prevê que o índice de Basiléia fique em 12,5%, próximo do mínimo exigido de 11%.   Ao estar perto do nível mínimo, a instituição fica com pouca margem para realizar novas operações de crédito."O número de 12,5% é adequado para o BB, mas há a possibilidade de colocar o índice (de Basileia) em um nível ainda mais confortável", disse Sanda aos investidores e analistas de mercado.   Ele citou como exemplo a chance de o banco elevar o capital da instituição de nível 2, referência para o cálculo de Basileia. Para isso, o banco poderia emitir títulos. "Temos uma margem para emissão de dívida subordinada. Se for necessário, vamos usar", disse.A preocupação por uma eventual limitação no crescimento do crédito no BB pelo índice de Basileia já havia sido alvo de uma medida aprovada em meados de dezembro pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).   Na ocasião, o grupo aprovou mudanças na contabilidade de créditos tributários. A medida elevava elevar o índice de Basileia do banco federal de 13,6% em setembro para cerca de 15%. No mercado, alguns analistas dizem que, sem as mudanças de cálculo aprovadas pelo CMN, o índice do BB já estaria próximo do limite mínimo, de 11%.

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