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BB paga R$ 7,6 bi pela Nossa Caixa e agora parte para Votorantim e BRB

Governo paulista vai receber R$ 5,4 bi; banco federal mantém 2.º lugar no ranking nacional, mas lidera em SP

Leandro Modé e Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2008 | 00h00

Depois de uma novela que durou pelo menos seis meses, o Banco do Brasil (BB) anunciou ontem a compra da Nossa Caixa. O governo paulista receberá R$ 5,4 bilhões, mas o valor total do negócio alcançará R$ 7,56 bilhões por causa do pagamento aos acionistas minoritários do banco estadual. A transação é parte da resposta do BB à fusão entre Itaú e Unibanco, que criou a maior instituição financeira do País.Fontes do BB dizem que o contra-ataque não deve parar por aí. Nos últimos dias, avançaram as conversas para a aquisição da metade do Banco Votorantim. Só faltaria definir o valor. O BB também está em negociação avançada para ficar com o Banco de Brasília (BRB), como já informou em fato relevante em setembro de 2007. Na semana retrasada, o BB anunciou a incorporação do Banco do Estado do Piauí (BEP). A compra da Nossa Caixa ainda não devolve a liderança do ranking nacional ao BB, mas o aproxima do Itaú-Unibanco em termos de ativos. Juntos, BB e Nossa Caixa têm R$ 512,4 bilhões, ante R$ 575 bilhões do Itaú-Unibanco. Mas a operação dá ao BB o primeiro lugar em São Paulo, com 1.324 agências, em comparação com 1.240 do Itaú-Unibanco, 1.204 do Santander e 1.168 do Bradesco. "Diferentemente dos bancos privados, o Banco do Brasil caminhou do resto do País para São Paulo", disse o vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Mendes. Em razão disso, a sobreposição dos dois bancos é relativamente baixa. O presidente do BB, Antônio Francisco de Lima Neto, estimou que, no máximo, 30 agências terão de ser fechadas, a maioria delas em pequenas cidades paulistas.Mas ele não exibiu a mesma tranqüilidade ao falar dos 103 mil funcionários dos dois bancos. "Se vão ocorrer demissões ou não depende do processo de incorporação", disse. "A premissa básica que nos motivou é a baixa sobreposição de estrutura e de pessoas." O BB calcula que a união resultará em ganho de sinergia entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões nos próximos cinco anos. Além disso, o ágio, estimado pelo BB em R$ 1,8 bilhão, originará crédito fiscal de mesmo valor, a ser recuperado em cinco anos. A marca Nossa Caixa deve desaparecer até meados de 2010. Os primeiros rumores sobre a negociação surgiram no primeiro semestre. Em maio, os dois bancos divulgaram fato relevante sobre as negociações. Na época, banco privados que também tinham interesse na Nossa Caixa, como Bradesco e Itaú, protestaram. Defenderam a realização de leilão.Por isso, um fantasma sempre rondou a negociação: que um banco privado poderia contestar a transação. Esse temor foi debelado depois que o Conselho Nacional de Justiça decidiu, no início de novembro, que depósitos judiciais devem permanecer com bancos públicos. A Nossa Caixa tem R$ 15,8 bilhões em depósitos judiciais.A partir desse momento, o principal entrave à negociação foi o preço. O governador José Serra pedia de R$ 7 bilhões a R$ 7,5 bilhões. O BB, que queria pagar no máximo R$ 6 bilhões, achou caro e desistiu. As conversas voltaram a esquentar após a fusão Itaú-Unibanco. O BB voltou a procurar Serra para negociar nos termos que o governador havia proposto.

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