BB paga US$ 480 milhões pelo Banco Patagonia

Aquisição do controle da sexta maior instituição financeira argentina, com 752 mil clientes e 154 agências, é a primeira compra do banco no exterior

Ariel Palacios e Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 00h00

Depois de quatro meses de negociações, o Banco do Brasil (BB) anunciou ontem sua primeira aquisição no exterior. A instituição controlada pelo governo federal vai pagar US$ 480 milhões para assumir o controle do Banco Patagonia, o sexto maior da Argentina, que tem 752 mil clientes e 154 agências distribuídas em todas as províncias do país.

Segundo executivos do BB, é o primeiro passo na estratégia do banco de ampliar a presença internacional. "Nos últimos anos, ocorreu uma brutal internacionalização das empresas brasileiras. Precisamos acompanhar nossos clientes", afirmou o vice-presidente de Negócios Internacionais do BB, Allan Simões.

De acordo com ele, mais de 200 empresas brasileiras operam na Argentina. "Não é só escritório, não. É presença importante, com fábricas", observou. "Juntas, elas empregam mais de 200 mil pessoas."

Dos nove integrantes do conselho de administração do Patagonia, cinco passarão a ser indicados pelo Banco do Brasil. A presidência executiva, no entanto, permanecerá com Jorge Stuart Milne. "Queremos aprofundar com o expertise (conhecimento) local", afirmou o presidente do BB, Aldemir Bendine. No acordo, foi definido que Milne se manterá no cargo ao menos pelos próximos três anos.

Simões explicou que a prioridade do BB no país vizinho é atender a clientela brasileira - empresas, sobretudo, mas também pessoas físicas. Frisou, porém, que o objetivo é "maximizar" os resultados do Patagonia de forma "sustentável". "Não vamos crescer a qualquer custo, mas queremos aproveitar ao máximo a estrutura para ter rentabilidade", observou.

Bendine indicou que um dos planos é ampliar o Patagonia "com mais filiais e mais funcionários". Ele também afirmou, durante entrevista coletiva concedida em Buenos Aires, que o BB vai manter o nome Patagonia.

Internacional. O presidente do BB ressaltou que a instituição tem "interesse" em "outros mercados da América Latina". "Já temos prospecções sobre bancos no Chile, Peru, Colômbia e Uruguai." Segundo ele, a intenção é fortalecer o processo de internacionalização da instituição estatal, iniciada com o Patagonia.

Bendine sustentou que, na estratégia de internacionalização do BB, também se inclui uma futura presença nos EUA - por aquisição, pois o BB já tem agências nos EUA. "Além das empresas brasileiras nos Estados Unidos e da presença de 1,4 milhão de brasileiros que ali residem, temos interesse no público latino-americano que ali mora. Por isso, pensamos em fazer uma aquisição no mercado americano."

O Banco Patagonia tem ações negociadas na Bolsa de Valores de Buenos Aires e também recibos de ações (conhecidos pela sigla BDR) na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Nos últimos dias, em meio aos rumores de que a negociação com o BB se encaminhava para um desfecho positivo, os papéis tiveram expressiva valorização no mercado argentino. No Brasil, porém, têm pouca liquidez. O último negócio com um BDR do Patagonia ocorreu no dia 11 de janeiro.

O BB anunciou há uma semana que fará uma capitalização que deve beirar os R$ 9 bilhões. Segundo Simões, são dois os principais objetivos da operação: aumentar a concessão de crédito no Brasil e financiar a expansão internacional do banco.

Ele também afirmou que o Patagonia tem uma baixa relação entre capital próprio e empréstimos, o que abre espaço para crescimento das operações de crédito na Argentina. / COLABOROU MARINA GUIMARÃES

Para lembrar

Itaú comprou banco no país

A aquisição do Banco Patagonia pelo Banco do Brasil (BB) é a segunda de uma instituição financeira argentina por uma brasileira. Há 12 anos, o Itaú comprava, por US$ 225 milhões, o Banco del Buen Ayre. Atualmente, a instituição brasileira tem uma rede de 81 agências na Argentina.

Analistas portenhos ressaltam que o setor bancário de seu país oferece um grande espaço para expansão. Mas também observam que a desvantagem é que o setor financeiro argentino é costumeiramente assolado pelas constantes crises econômicas - como o próprio Itaú já sentiu na pele.

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