BB pode ficar com até 10% do banco chileno CorpBanca

Grupo financeiro do Chile confirmou ontem estar em negociações para a venda de participação ao Banco do Brasil

Fernando Nakagawa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2010 | 00h00

O banco chileno CorpBanca confirmou ontem que negocia a venda de parte da companhia para o Banco do Brasil. Em comunicado ao mercado, a direção do banco informou que mantém "conversas informais e preliminares" com os brasileiros. A negociação entre as duas instituições foi antecipada ontem pelo Estado.

Com a confirmação da notícia, as ações da instituição chilena inverteram a trajetória das últimas semanas e caíram 4,44% na Bolsa de Santiago. A explicação para a queda seria o fato de que as negociações ainda estão em fase preliminar. Mas não é descartada a hipótese de realização de lucros, após a valorização de mais de 20% neste mês.

Distribuído no início da tarde, o comunicado do banco chileno diz que as conversas com o BB envolvem fatia de "não mais de 10%" do capital da instituição. O plano inicial prevê que a entrada dos brasileiros no CorpBanca deverá ocorrer por aumento de capital - com o lançamento de novas ações -, e não com a venda de papéis existentes. Essa é considerada a forma mais adequada para o ingresso de um novo sócio sem que a família de Alvaro Saieh, o principal acionista do banco, perca o controle da instituição.

A compra de apenas parte do capital sempre foi o plano original dos brasileiros. Na diretoria do BB, fontes explicam que o mercado chileno é muito mais "maduro e desenvolvido" que o de outros países da região, o que torna o preço dos ativos muito maior se comparado ao dos mercados vizinhos. Por isso, a opção foi ingressar via parceria, e não com a compra de um banco como na Argentina - onde o BB comprou o Banco Patagônia.

Papel. O comunicado do CorpBanca esclarece que, por enquanto, não existe acordo formalizado entre a direção da instituição e o BB. "Até esta data, não existe nenhum acordo fechado com a instituição brasileira, muito menos documentos a esse respeito, nem entrega de informação que não seja pública", diz o comunicado. No texto, os chilenos lembram que qualquer acordo para venda de parte do seu capital depende da aprovação das autoridades do Chile.

"Mesmo com até 10% do capital, o Banco do Brasil poderá ter um papel ativo, porque poderá participar do Conselho de Administração. Isso vai depender do acordo de acionistas que está sendo desenhado. De qualquer forma, será importante para o BB, que terá acesso ao mercado chileno, economia muito respeitada no mundo e muito mais aberta que o Brasil com negócios expressivos com o Pacífico e os Estados Unidos", diz o analista do setor bancário da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu.

Alvaro Saieh, principal acionista do CorpBanca, tem tradição na venda de parte de seus negócios para terceiros, em especial no setor financeiro. Nas últimas décadas, ele administrou o antigo Banco Osorno, que posteriormente foi vendido aos espanhóis do Santander.

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