BB pode reduzir dividendos para pagar Nossa Caixa

Segundo analistas, instituição pode diminuir distribuição como forma de aliviar efeito do desembolso

Ana Paula Ribeiro, da Agência Estado,

21 de novembro de 2008 | 20h24

O pagamento pela Nossa Caixa em dinheiro deverá fazer com que o Banco do Brasil reduza a distribuição de dividendos a seus acionistas como forma de aliviar o efeito que o novo desembolso terá sobre a capitalização da instituição, segundo analistas consultados pela Agência Estado. "É possível que o Banco do Brasil reduza o nível de pagamento de dividendos para aliviar a pressão sobre o índice de Basiléia do banco", segundo relatório do UBS Pactual. Os dividendos representam a parcela do lucro da empresa ou da instituição financeira distribuída aos acionistas.   Veja também: BB diz que não haverá demissões de funcionários da Nossa Caixa Bancários se reúnem com BB nesta sexta em Brasília BB e governo de SP fecham acordo sobre venda da Nossa Caixa BB deve fechar 30 agências, entre próprias e da Nossa Caixa Ação da Nossa Caixa sobe mais de 80% com interesse do BB Governo age por vaidade, diz associação de minoritários do BB   O índice de Basiléia mede a capacidade de alavancagem de uma instituição financeira, ou seja, quanto um banco pode emprestar em relação à sua posição de capital. No Brasil, o índice mínimo exigido pelo Banco Central é de 11% do patrimônio de referência. Os dados do BB referentes a setembro de 2008 apontam para um índice de 13,6%. No entanto, o estimado para após a incorporação é de 12,8% e o pagamento em dinheiro ao Estado de São Paulo pode reduzir ainda mais essa relação.   A avaliação geral é que o valor da operação, que fará com que o banco público federal desembolse ao todo R$ 7,56 bilhões, ficou acima do esperado pelo mercado. Esse fator, aliado ao potencial de redução do pagamento de dividendos, colabora para a queda na cotação das ações do BB hoje, segundo os analistas. No entanto, é consenso de que a aquisição da Nossa Caixa é positiva porque irá aumentar a participação do BB na região metropolitana de São Paulo, passando da quarta para a primeira colocação em número de agências.   A preocupação em relação à distribuição de proventos também foi levantada pela área de análise do Banif, que considerou negativa a opção por um pagamento em dinheiro ao Estado de São Paulo. "Isso vai ter um impacto violento no lucro do Banco do Brasil e deve reduzir o pagamento de dividendos", afirmou uma analista que preferiu não ser identificada. Nos últimos trimestres, o BB distribuiu a seus acionistas 40% do resultado registrado por meio de dividendos e juros sobre o capital próprio.   O Banif esperava que o preço da transação ficasse em 2,2 vezes o patrimônio da Nossa Caixa. O valor anunciado ontem ficou um pouco acima, 2,36 vezes. A analista lembra que o preço ficou acima do esperado porque houve uma mudança de cenário desde o início das negociações entre BB e o banco estadual paulista. Um dos principais fatores é a fusão entre Itaú e Unibanco, que exerceu uma pressão para que o banco federal volte a ocupar a primeira posição no ranking do setor financeiro no País.   Além disso, o acirramento da crise externa valorizou os depósitos judiciais em poder da Nossa Caixa e há a possibilidade de explorar a folha de pagamentos dos servidores públicos paulistas. "Tudo isso faz com que o preço tenha saído um pouco mais alto", disse.   A analista da corretora do Unibanco Maria Laura Pessoa considera positiva a aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, principalmente pelo potencial de ganhos no Estado de São Paulo. No entanto, também vê como possível a redução do pagamento de dividendos aos acionistas. "Foi caro, mas nós acreditamos que a aquisição era um "tudo ou nada" na estratégia de expansão do BB em São Paulo", afirmou, em relatório.   Aloísio Lemos, da Ágora, considera que o valor do negócio não foi feito com um múltiplo em relação ao patrimônio "absurdo" e que a aquisição é um bom negócio devido aos cerca de R$ 16 bilhões de depósitos judiciais em poder da Nossa Caixa. "É um ativo estrategicamente importante", afirmou.

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