BB quer ampliar fatia de crédito rural de 32% para 36%

Nos primeiros 45 dias de oferta de crédito, banco já emprestou R$ 2,5 bi, 11,6% mais que no mesmo período de 2009

Célia Froufe / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

O Banco do Brasil (BB) pretende aumentar sua participação em empréstimos para a produção agrícola na safra 2010/2011 de 32% para 36% ao oferecer R$ 42 bilhões em crédito do total previsto de R$ 116 bilhões pelo governo. No ciclo de produção passado, a instituição financiou o setor com R$ 34,7 bilhões, dos R$ 108 bilhões disponíveis.

Se a meta for atingida, haverá um aumento de 20,7% em relação à safra anterior. "O Banco do Brasil continua na liderança destacada de financiamento para o setor", disse ontem o vice-presidente de Agronegócios, Luís Carlos Guedes Pinto. Segundo ele, dos R$ 70,3 bilhões de crédito rural em circulação, 60,5% são recursos do sistema financeiro aplicados pelo BB.

Desde 1.º de julho, quando começa oficialmente a safra, o interessado pode captar os recursos. Nos primeiros 45 dias de oferta, o BB já emprestou R$ 2,5 bilhões - um aumento de 11,6% em relação ao mesmo período da safra 2009/2010. O diretor de Agronegócios da instituição, José Carlos Vaz, afirmou que, se a demanda for maior, há recursos para atender aos produtores. Na safra passada, o BB aplicou R$ 34,7 bilhões, da estimativa total de R$ 39 bilhões.

Inadimplência. Apesar da presença cada vez maior do banco no setor, o nível de inadimplência do crédito concedido pelo BB caminha de volta à sua média histórica, de 2%. No fim da safra passada, estava em 2,3% dos R$ 70 bilhões de recursos a produtores e cooperativas. O porcentual é inferior aos 3,3% de dezembro de 2009 e setembro de 2009, quando atingiu o pico de 3,8% ainda como reflexo da crise internacional. "Há uma clara redução da inadimplência", disse Vaz.

O dado só não está melhor porque nesse bolo estão contratos assinados de 2004 a 2006, quando o setorteve problemas climáticos e grande diferença cambial, plantando com dólar caro e colhendo após a desvalorização. Os financiamentos atrasados desse grupo somam R$ 10 bilhões. Apesar de mais elevada, a inadimplência também segue em baixa: estava em 9,8% em setembro de 2009 e atingiu 5,2% em junho de 2010. "É uma carteira em que a situação dos produtores é mais frágil", disse o diretor.

Opções. Para evitar a inadimplência, o BB quer atrair um maior número de produtores rurais para o programa de seguro contra o risco da queda dos preços agrícolas. No primeiro ano, a adesão foi baixa - apenas 0,9% dos R$ 14,9 bilhões contratados para custeio agrícola. A intenção é atingir 8% no ciclo atual.

Preço garantido

O seguro para produtos agrícolas garante o preço do produto na colheita, e o banco paga a diferença de uma possível desvalorização, protegendo o produtor de uma queda acentuada de preços.

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