BB tem R$ 18 bilhões para microcrédito, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou no seu programa quinzenal de rádio, o "Café com o Presidente", na rede Radiobrás, às 6 horas, que somente o Banco do Brasil tem para cessão em microcréditos em 2004, o volume de R$ 18 bilhões, recursos que poderão ser emprestados com taxa de juros de 6% ao ano, com quatro anos de carência e 12 para pagar. No ano passado, foram emprestados R$ 1 bilhão como microcrédito, mais do que os R$ 254 milhões de 2002, disse Lula em um balanço rápido, anunciando ainda que a Caixa Econômica Federal ao abrir contas para a população mais pobre, atraiu para si mais 1 milhão de novas contas. No programa de hoje, o presidente falou sobre os recursos para os Fundos do Nordeste: "Eu lancei na semana passada em Fortaleza, o programa Cresce Nordeste que vai utilizar R$ 3 bilhões, do Fundo Constitucional criado pela Constituição de 1988 para desenvolver o Nordeste, mas que como outros fundos para o Nordeste, muitas vezes não eram fundos para auxiliar as pessoas que realmente necessitavam. Como agravante, cerca de 46% das pessoas que pegavam o dinheiro do banco não pagavam e muitas vezes os bancos não cobravam?. O presidente disse que esteve com o presidente do Banco do Nordeste no ano passado e soube que alguns empréstimos não tinham a assinatura de quem retirava o dinheiro. ?Portanto, não se poderia cobrar, porque não haviam provas. Nós trabalhamos muito duro, moralizamos este banco, contratamos mais gente, montamos mais agências e agora colocamos R$ 3 bilhões para desenvolver o Nordeste, sobretudo para ajudar o grande empresário, o pequeno o médio empresário, e o micro empresário, nas mais diferentes atividades econômicas?, explicou. Segundo Lula, em 2003 emprestamos R$ 1 bilhão, o maior volume de empréstimos do Banco do Nordeste nos últimos dez anos - no ano de 2002, só tinham sido emprestado R$ 254 milhões. ?Isto é, no primeiro ano, investimentos quatro vezes mais do que eles investiram em 2002. Agora com os R$ 3 bilhões, nós queremos fazer que o Banco do Nordeste cumpra com sua finalidade, ou seja, ajudar no desenvolvimento do Nordeste brasileiro. Nós vamos financiar pequenos e médios empreendimentos como agricultura, artesanato, floricultura, apicultura, avicultura, comércio e serviços, citricultura, turismo entre outras atividades que vamos financiar". O presidente anunciou também que os juros serão mais baixos, cerca de 6% ao ano, e o prazo para o pagamento mais longo, até 12 anos, com carência de quatro anos. ?Aliás, é bom lembrar, no ano de 2003, nós fizemos com o sistema financeiro o que nunca tinha sido feito na história deste País: o Banco do Brasil emprestou muito mais dinheiro para o micro-crédito. Só para se ter uma idéia, o Banco do Brasil saiu de R$ 8 bilhões em 2002, para R$ 13 bilhões em 2003; e para 2004 temos R$ 18 bilhões para o micro-crédito?. Lula lembrou que a Caixa Econômica Federal criou o "caixa aqui" que, em 1 ano, angariou mais de 1 milhão de novos correntistas, ?pessoas pobres que nunca podiam entrar em um banco e que agora entram e abrem suas contas. E mais ainda, fizemos acordos com o movimento sindical, estamos emprestando dinheiro para o trabalhador a juros mais baratos do que o cartão de crédito e o cheque especial, para desconto em folha de pagamento. O que estamos fazendo na verdade é colocando o sistema financeiro, sobretudo através dos bancos públicos brasileiros, a serviço da sociedade brasileira, a serviço do crescimento econômico, a serviço de novas linhas de crédito. Estou tranquilo, que nós já fizemos com o dinheiro público para investimento, mais do que já havia sido feito nos últimos dez anos no nosso Brasil", afirmou. Perguntado se está ocorrendo uma democratização não só de acesso bancário, mas de crédito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse: "Vou dar o depoimento de uma mulher que foi a pessoa que abriu a conta de número 500 mil da CEF, uma catadora de papel de São Paulo. Ela me abraçou chorando no dia do lançamento, eu fui a assinatura. Ela me disse, pela primeira vez eu me sinto cidadã, me sinto importante, porque nunca havia podido entrar em um banco, porque não andava bem vestida; porque andava com roupa comum; às vezes eu tinha muita dificuldade; agora eu sou tratada como gente. Tenho a minha conta e sou tratada como gente. Um depoimento como este vale mais do que qualquer coisa. Significa que as pessoas estão conquistando seu espaço político, seu espaço de cidadania e estão sendo tratadas com respeito".

Agencia Estado,

22 Março 2004 | 08h31

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