BB vai financiar casa própria a partir de junho

BB é o último dos grandes bancos que recebeu autorização para operar nesse segmento

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

27 de março de 2008 | 21h08

O Banco do Brasil (BB) vai ingressar no mercado de crédito imobiliário com recursos da poupança. A estréia está prevista para junho e a maior instituição financeira do País tem planos de terminar 2008 com pelo menos R$ 1 bilhão em empréstimos voltados para a classe média. Até 2012, o BB quer abocanhar mercado dos concorrentes privados e alcançar o terceiro lugar do setor. Após anos de espera e de uma disputa de bastidores com a Caixa Econômica Federal (CEF), o BB conseguiu ontem a autorização para entrar no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), segmento que usa recursos da poupança para financiar a compra de imóveis. O presidente do banco, Antônio Lima Neto, comemorou. "A novidade traz expectativa de agregarmos valor ao resultado do banco e deixa o BB bem posicionado para crescer bastante nos próximos anos." A autorização veio com uma decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), que permitiu ao BB destinar até 10% dos recursos de poupança para o setor imobiliário - o equivalente a R$ 4,5 bilhões. Atualmente, o banco direciona os recursos da poupança para o crédito rural. Após a decisão do CMN, o BB aguarda a autorização do Banco Central para iniciar suas operações imobiliárias.  A decisão do CMN beneficia também outras quatro instituições, os estatais Banco do Nordeste e Banco da Amazônia e os cooperativos Bansicred e Bancoob. Em contrapartida, o CMN deu aos bancos que já atuam no setor imobiliário a opção de destinar 10% de seus recursos de poupança ao crédito rural. Eles poderão alavancar mais R$ 3,2 bilhões para esse segmento. Classe média A intenção do Banco do Brasil é atingir o cliente de classe média. No início, o crédito será oferecido a famílias com renda mensal superior a cinco salários mínimos (R$ 2.075). No SFH, o empréstimo será de até R$ 350 mil. A instituição acredita que os financiamentos devem ter valor médio próximo de R$ 85 mil.  O vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Luiz Mendes, afirmou que as condições do crédito serão semelhantes às já registradas no mercado. O limite do valor a ser financiado, por exemplo, será de 80%, como nos demais bancos que operam no SFH. Já as taxas de juros deverão ser, segundo ele, "iguais ou inferiores às praticadas no mercado". Para atingir maior número de clientes, o BB mantém conversas com incorporadores. A intenção é assinar acordos para a oferta do crédito para pessoas que não são clientes do banco. Segundo Mendes, há negociações em curso, principalmente, com empresas de São Paulo. Segundo Lima Neto, já está tudo pronto nas agências para a oferta do novo produto. Desde o fim do ano passado,a instituição realiza um programa piloto em agências de São Paulo que oferecem o crédito imobiliário com recursos próprios, em operações com valor superior a R$ 350 mil. Esse trabalho permitiu que o banco estruturasse a área antes mesmo da autorização do CMN. Mercado O BB é o último dos grandes bancos que recebeu autorização para operar nesse segmento. Os maiores concorrentes - como Bradesco e Itaú, além da CEF - já estavam autorizados. Nesta quinta-feira, a diretoria do Banco do Brasil fez questão de ressaltar que seu foco de clientes é a classe média, e que, por isso, não haverá concorrência direta com a Caixa Econômica Federal. Com esse discurso, o BB tenta amenizar a disputa de bastidor que envolveu os dois bancos públicos desde o anúncio da intenção da instituição financeira de ingressar nesse mercado.  O presidente do BB, porém, admitiu que o segmento popular está sendo estudado. "Nós já estudamos como podemos auxiliar no processo de atendimento da demanda na baixa renda", disse. Se isso acontecer, haverá concorrência direta entre BB e Caixa. Procurada, a Caixa não comentou o ingresso do BB no mercado.

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