BB: veja os números da instituição

As medidas de fortalecimento patrimonial foram um marco e levaram o Banco do Brasil a um novo patamar de rentabilidade. O lucro líquido do primeiro semestre, de R$ 823 milhões, foi recorde na história da instituição e produziu retorno anualizado sobre o patrimônio líquido de 20,6%. Com o resultado, o banco passou o Bradesco (18,7%) e o Unibanco (16,0%) em rentabilidade. O Itaú apurou 26,9%. É preciso lembrar, porém, que o resultado das instituições privadas foi prejudicado por provisões acima do exigido para a depreciação dos títulos públicos. Um analista destacou que os bancos não querem mostrar lucros excessivos neste ano, com medo de chamar a atenção do novo presidente, que pode criar empecilhos para o sistema financeiro. O BB, ao contrário, tem todo o interesse de apresentar resultado recorde para ter sucesso na oferta de ações do governo prevista para 2002. Apesar de o balanço da instituição ter melhorado muito no último ano, alguns indicadores de desempenho mostram que a instituição continua aquém das suas concorrentes. O banco encontra-se em desvantagem nos índices de eficiência e de Basiléia - referências para análise de instituições financeiras - e em relação à vulnerabilidade ao risco político, por exemplo.O BB fechou o primeiro semestre de 2002 com eficiência (despesas administrativas/receitas operacionais) de 60,3%, contra 70,2% no mesmo período do ano passado. "Quanto menor o indicador, maior o grau de eficiência", explicou o analista Fernando Coelho de Oliveira, da ABM Consulting. Apesar da expressiva melhora, que ocorreu com o aumento das receitas e a estabilidade dos custos, o índice do BB ainda é pior que o do Itaú (55,2%) e o do Bradesco (55,3%), bancos que ainda tiveram gastos com aquisições recentemente. "Todos almejam chegar à média internacional de 50%", disse Oliveira. Índice de BasiléiaNo caso do Banco do Brasil, o índice de Basiléia, que mede a relação entre o patrimônio do banco e os ativos ponderados pelo risco, se retraiu no primeiro semestre com as novas regras de contabilização dos títulos das carteiras dos bancos, lembrou o analista Marcos Brandão, da Fator Doria Atherino. "Essas normas espremeram o índice, que voltou para perto do mínimo exigido." O BB é um dos maiores carregadores de títulos públicos. A marcação a mercado desses papéis produziu impacto negativo no patrimônio do BB de R$ 1,280 bilhão. O BB encerrou junho com índice de Basiléia, de 11,6%, contra 12,1% no mesmo intervalo de 2001. Os bancos privados, que têm folga maior em relação ao mínimo de 11% exigido pelo Banco Central, possuem mais margem para concessão de créditos. O Itaú teve Basiléia de 15,3%, o Bradesco chegou a 14,7% e o Unibanco ficou em 13,6%. Veja a perspectiva de analistas para as ações do banco nos links abaixo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.