BBVA pode entrar na disputa pelo HSBC no Brasil, diz site

Executivo afirmou no México que banco vai avaliar operações à venda, de acordo com o'CNN Expansión'

O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2015 | 02h05

O banco espanhol BBVA está considerando entrar na disputa pelas filiais que o HSBC quer vender no Brasil e na Turquia. A informação é do executivo Vicente Rodero, que falou ontem em reunião anual da companhia na Cidade do México, segundo o site CNN Expansión.

Caso a intenção de comprar a operação brasileira se confirme, o BBVA deverá entrar em uma disputa com os principais bancos comerciais do País. Segundo informações de mercado, Bradesco, Itaú e Santander estão interessados nos ativos do HSBC Brasil.

O banco, que entrou no País ao comprar o paranaense Bamerindus, que precisou ser resgatado pelo Proer - programa de socorro de instituições financeiras do governo - tem hoje 853 agências e cerca de 10 milhões de clientes brasileiros.

Para fontes de mercado, o HSBC acabou "espremido" por instituições bem mais poderosas. O banco declarou estar insatisfeito com os resultados recentes de sua operação no Brasil. Ao anunciar a decisão de vender a operação, o HSBC citou, entre outros motivos, as baixas perspectivas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para os próximos anos.

Outras instituições, no entanto, teriam a ganhar ao comprar os ativos da instituição. O BBVA poderia ser uma delas. "Avaliamos as operações do HSBC na Turquia e no Brasil. Não seriam negócios fáceis. Se houver oportunidade, vamos atrás", disse Vicente Rodero, diretor de franquias globais do BBVA.

Um porta-voz do BBVA em Madri não confirmou as afirmações de Rodero e, quando questionado se o banco estava interessado nos negócios do HSBC, disse somente que era "dever" do banco buscar todas as oportunidades. Hoje, o BBVA não tem presença como banco comercial no Brasil; na Turquia, detém 25% do banco Garanti.

Ao restringir sua operação no Brasil apenas para o atendimento a empresas, o banco cortaria consideravelmente seu porte no País, onde é atualmente o sexto maior banco comercial, atrás de Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander. A venda seria uma forma de cortar custos - a meta global do banco é reduzir a equipe em 50 mil pessoas. No caso do Brasil, as demissões seriam feitas pela instituição que comprar os ativos, já que certamente o comprador terá estrutura própria para boa parte das operações a serem herdadas do HSBC.

Desembolso. O valor patrimonial do HSBC Brasil girava em torno de R$ 10 bilhões no fim do ano passado. Pelo histórico de vendas semelhantes no setor financeiro, o comprador teria de desembolsar entre 1,5 e 2 vezes este valor para ficar com a estrutura da instituição, segundo Antonio Toro, sócio da consultoria e auditoria PwC. No entanto, como o momento é de baixa, ele diz que o ativo pode sair abaixo deste patamar.

De acordo com relatório do Credit Suisse, o melhor candidato a comprar a estrutura local do HSBC seria o Bradesco. Na avaliação do banco de investimento, a instituição tem a menor sobreposição de negócios com o banco, na comparação com seus principais concorrentes - Itaú e Santander.

Além disso, ao contrário do Itaú, que está focado em uma estratégia de expansão internacional, o Bradesco aposta suas fichas no crescimento do mercado interno. / Agências internacionais

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