BC acerta ao fixar meta para inflação, avaliam analistas

A política do Banco Central de estabelecer uma meta de 5,1% para a inflação em 2005 é correta, concordaram o consultor Robert Fendt e o analista da Corretora Geração Futuro Maurio Giorgi, durante entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". "Essa meta orienta decisões de investimentos, de consumo, do que fazer com o dinheiro. Acho que isso é muito importante. É claro que, ao perseguir a meta, o BC deve buscar um número que seja factível, para que não haja a necessidade de taxas de juros reais excessivamente elevadas. Mas creio que essa taxa está bastante razoável", afirmou Fendt. Para Giorgi, o Banco Central tem uma política extremamente ortodoxa. "Não há necessidade de atingir 5,1%. Acredito que aquilo que o mercado está esperando, entre 5 ou 6%, seria ótimo." Para ele, o BC não tem de mudar a meta a cada 5 ou 6 meses. "Isso traria uma volatilidade ao mercado que não seria necessária." Segundo os analistas, as grandes empresas ainda estão cautelosas com o crescimento da economia devido à alta dos juros. "Essa elevação sucessiva da taxa de juros pode trazer algum tipo de nervosismo. Dentro de dois ou três meses pode ocorrer alguma queda de consumo no mercado interno", disse Giorgi. O presidente Lula sancionou anteontem o orçamento geral da União para 2005. Do total, R$ 21 bilhões vão para investimentos em infra-estrutura, dos quais R$ 5,6 bilhões devem ser destinados para os transportes. Giorgi avalia que esses números são muito baixos diante das necessidade do País. No entanto, ele admite que, em função da taxa de juros, o Brasil tem despesas que tomam grande parte do Orçamento. "A experiência dos últimos anos tem mostrado que qualquer que seja o valor ele será contingenciado", disse Fendt.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.