BC admite que inflação demora a cair

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, reconheceu nesta sexta-feira que a inflação tem caído em ritmo mais lento do que se esperava. ?Mas todas as projeções indicam que a meta de 3,5% será cumprida?, disse ele, em entrevista à Agência Estado.Ele afirmou que o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) vai se manter pautado pelo objetivo traçado pelo governo. "A política monetária é decidida mês a mês, olhando a inflação esperada. Continuamos a fazer política monetária do mesmo jeito que tem sido feita. Temos autonomia para isso", disse.Na sua avaliação, a mudança do regime cambial na Argentina não deve provocar alterações na trajetória da inflação brasileira prevista para este ano. A projeção feita pelos técnicos da instituição, segundo ele, é compatível com a situação atual da Argentina.Evitar o contégioO diretor reconhece que o país vizinho vive um momento difícil, mas acredita que o Brasil tem condições de evitar maior contágio."Boa parte do cenário na Argentina já foi precificado pelos agentes econômicos no ano passado. É claro que temos de acompanhar o assunto com cuidado. O risco de contágio nunca deixa de existir, mas acho que é manejável. Acredito que o nosso cenário básico pode conviver com a atual situação argentina", argumentou o diretor, referindo-se ao cenário que serve de base nos modelos do BC para projetar o índice de inflação.MetasEm um relatório divulgado nesta semana sobre a economia brasileira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) registra que a inflação de 2001 foi mais elevada do que o esperado, ?devido à depreciação cambial e ao ajuste de preços administrados?.Mesmo assim, os diretores aprovaram ?o forte compromisso das autoridades em manter o regime de metas de inflação e sua política de câmbio flutuante.?Na avaliação dos técnicos do Fundo, o ?estouro? da meta em 2001 foi decorrência de ?substanciais choques de oferta e choques externos.? O FMI recomenda que a política de juros seja mantida na direção de cumprir a meta fixada para este ano.A recomendação não foi nenhuma surpresa para as autoridades da área econômica brasileira. ?Estamos de total acordo?, disse o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier. ?Não é nada diferente do que nós ou o Banco Central dizemos sobre o assunto.?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.