André Dusek/Estadão - 9/1/2018
O Banco Central quase dobrou o volume de ouro nas reservas internacionais nos últimos três meses. André Dusek/Estadão - 9/1/2018

BC afirma que decisão de elevar estoque de ouro em reservas não tem relação com câmbio

De maio a julho, o Banco Central comprou 62,3 toneladas de ouro no mercado internacional quase dobrando o estoque do metal nas reservas brasileiras

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2021 | 13h30

BRASÍLIA - O Banco Central afirmou ao Estadão/Broadcast, por meio de sua assessoria de imprensa, que a decisão de elevar o estoque de ouro na carteira das reservas internacionais “não tem qualquer relação com a política cambial em vigor no País”. De maio a julho deste ano, o BC comprou 62,3 toneladas de ouro no mercado internacional e, com isso, quase dobrou o estoque do metal nas reservas brasileiras.

As operações dos últimos três meses chamaram atenção não apenas pelo volume envolvido, mas também porque desde novembro de 2012 o BC praticamente não alterava o montante do metal nas reservas, que no fim de julho estavam na casa dos US$ 355,7 bilhões. Desse total, US$ 7,7 bilhões eram de ouro.

Ao tratar da questão, o BC afirmou que “o dólar continua sendo a moeda de referência das reservas internacionais”. Além disso, a instituição pontuou que “outros ativos também compõem as reservas internacionais em menor quantidade, a exemplo do ouro e de outras moedas”. O BC reconheceu ainda que o ouro é um ativo “bastante utilizado no processo de investimento das reservas internacionais pelos bancos centrais”.

De acordo com a autoridade monetária, os investimentos dos recursos das reservas são avaliados periodicamente, sendo que as decisões sobre a carteira de ativos são tomadas pela Diretoria Colegiada - órgão formado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e pelos oito diretores da instituição. Essas decisões estão em conformidade com os objetivos divulgados pelo próprio BC no Relatório de Gestão das Reservas Internacionais, documento publicado anualmente.

Ainda segundo o BC, o objetivo da gestão das reservas é obter uma carteira “que faça o hedge do passivo externo e que seja anticíclica, ancorada nos princípios de segurança, liquidez e rentabilidade”.

O BC esclareceu ainda que não adquire ou negocia ouro no mercado local. “Toda a armazenagem e negociação do ouro são feitas no mercado externo e seguem os procedimentos compatíveis com o padrão internacional”, completou a autarquia.

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Banco Central quase dobra o volume de ouro nas reservas em 3 meses

De maio a julho, o BC comprou 62,3 toneladas do metal, elevando seu estoque para 129,7 toneladas; a reserva brasileira de ouro já soma US$ 7,596 bilhões

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2021 | 13h30

 BRASÍLIA - Em movimento iniciado em maio, o Banco Central, comandado por Roberto Campos Neto, voltou a comprar ouro para estocar nas reservas internacionais do Brasil. Em julho, o BC adquiriu no mercado o equivalente a 8,5 toneladas do metal. Em três meses, as compras já somaram 62,3 toneladas e fizeram as reservas em ouro quase dobrar.

Os dados sobre as reservas mostram que o BC adquiriu 11,9 toneladas do metal em maio - ou 384 mil onças troy, considerando a medida utilizada internacionalmente. Em junho foram mais 41,8 toneladas (1,344 milhão de onças troy), um recorde para um único mês considerando a série histórica do BC, iniciada em dezembro de 2000. Em julho, foram mais 8,5 toneladas (274 mil onças troy). Em comparação, as 62,3 toneladas compradas nos três meses pesam o mesmo que 16 elefantes asiáticos.

Com as operações, o BC elevou em 92,4% o volume de ouro nas reservas, para 129,7 toneladas. Em dólares, a quantidade de metal subiu 98,5%, para US$ 7,596 bilhões, já considerando a valorização do ativo nos últimos meses.

O movimento chama a atenção porque, de novembro de 2012 a abril deste ano, o BC pouco havia alterado o montante das reservas aplicado em ouro. Nesse período, comandaram a autarquia os economistas Alexandre Tombini, Ilan Goldfajn e o próprio Campos Neto, a partir de 2019.

As reservas internacionais, que no fim de julho somavam US$ 355,7 bilhões, funcionam como uma espécie de “seguro” contra crises cambiais. Os recursos são suficientes para cobrir os atuais compromissos do Brasil em dólar e, por isso, o País se coloca hoje como um credor em moeda estrangeira - e não como um devedor.

A maior parte das reservas é formada por títulos conversíveis em dólares e por dólares depositados em bancos centrais de outros países, no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco de Compensações Internacionais (BIS). No fim de 2020, esta parcela chegava a US$ 332,0 bilhões, ou 93,4% das reservas. Em comparação, o montante de ouro no fim do ano passado era de US$ 4,101 bilhões, ou 1,2% do total.

Ao comprar 62,3 toneladas do metal nos últimos três meses, o BC elevou para US$ 7,596 bilhões a parcela de ouro nas reservas. O ativo corresponde agora a 2,1% do total.

O porcentual ainda não representa uma grande mudança no perfil de alocação dos recursos, mas marca uma diferença de postura do BC de Campos Neto em relação a seus antecessores.

Com a chegada de Campos Neto ao BC, em 2019, surgiram sinais de que a gestão das reservas internacionais poderia mudar, mesmo que pontualmente. Em maio daquele ano, Campos Neto confirmou a jornalistas que havia uma discussão dentro da autarquia sobre a gestão dos ativos. Na ocasião, o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, disse que um dos objetivos era rever a eficiência dos instrumentos de reserva, e não discutir os níveis do seguro.

Pandemia

No caso específico do ouro, a pandemia afetou de forma substancial as cotações. Em meio à crise, bancos centrais e empresas de todo o mundo foram em busca do metal como ativo de reserva.

Esse aumento de demanda fez a cotação à vista da onça troy na OTC Metals, nos Estados Unidos, subir de US$ 1.515,12 no fim de 2019 para US$ 1.896,49 no encerramento de 2020. O avanço foi de 25,2%. Este ano, com a continuidade da crise, o BC decidiu ir às compras.

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