BC: ainda existe risco de alta da inflação

O Banco Central (BC) chama a atenção para a persistência do risco de alta da inflação, no Relatório Trimestral de Inflação do segundo trimestre de 2009, divulgado hoje. No documento, os diretores da autoridade monetária destacam a possibilidade de que preços indexados podem aumentar a pressão sobre os índices de inflação. "Existe ainda a possibilidade de um risco de elevação, representado pela atuação de mecanismos de reajuste que contribuem para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no passado, como evidencia o comportamento dos preços dos serviços e de itens dos preços administrados, desde o início do ano", cita o texto. O documento cita como exemplo o comportamento do preço dos serviços.

ADRIANA FERNANDES E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

26 de junho de 2009 | 10h25

Apesar da contração da atividade econômica em dois trimestres seguidos, esse item apresentou aumento de 3,92% nos primeiros cinco meses de 2009, ante aumento de 3,1% no mesmo período de 2008, "oportunidade em que a economia se encontrava em acelerada expansão". "Como se sabe, a presença de mecanismos de indexação de preços, mesmo que informais, reduz a sensibilidade da inflação às flutuações da demanda", cita o texto.

O documento diz, ainda, que esse mecanismo de indexação pode aumentar o que o BC chama de "ponto de partida" da inflação em um ciclo de recuperação econômica. "Contribuindo assim para elevar os riscos para o cenário inflacionário prospectivo".

O BC afirma que os preços administrados - as tarifas públicas - deixarão de ter papel "arrefecedor" nas pressões inflacionárias, como aconteceu nos dois últimos anos. A expectativa para o aumento desse conjunto de preços em 2009 está em valor superior à meta de inflação, que é de 4,5%.

Ainda segundo o BC, o principal risco relacionado à inflação no médio prazo vem dos efeitos acumulados da redução da taxa básica de juros, a Selic, que estão, atualmente, no menor nível da história, em 9,25% ao ano. "O risco para a trajetória inflacionária advém dos efeitos, cumulativos e defasados, da distensão das condições financeiras sobre a evolução da demanda doméstica em contexto de gradual retomada da utilização dos fatores de produção."

A taxa Selic atingiu o nível historicamente baixo, de 9,25% ao ano, com uma redução acumulada no atual ciclo, iniciado em janeiro deste ano, de 4,5 pontos porcentuais. De acordo com o documento do BC, "grande parte dos efeitos" do corte acumulado dos juros só irá se observar na economia ao longo dos próximos trimestres.

Previsão

A projeção para a inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2009 no cenário de referência subiu de 4% para 4,1%, de acordo com o relatório divulgado hoje pelo BC. No documento, a projeção desse mesmo cenário para o ano de 2010 foi em trajetória contrária e caiu de 4% para 3,9%. Já no cenário de mercado, a previsão para o IPCA em 2009 subiu 4,1% para 4,2%. Para 2010, porém, a previsão caiu de 4,4% para 4,2%.

O cenário de mercado usa a trajetória esperada para as taxas básica de juros, a Selic, e a de câmbio segundo a pesquisa Focus, feita pela autoridade monetária junto aos analistas do mercado financeiro. Já o cenário de referência é baseado em projeções que levam em conta a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 9,25% ao ano e taxa de câmbio de R$ 1,95. Em março, quando havia sido feita a estimativa anterior, a previsão levava em conta a Selic em 11,25% ao ano e o câmbio a R$ 2,35.

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