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BC alerta contra euforia no câmbio

Meirelles lembra que recentemente empresas perderam com dólar alto

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

Em dia de trégua na queda do dólar, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, mudou o tom do discurso sobre o rumo da moeda americana e fez um alerta sobre eventual otimismo exacerbado nas apostas no mercado de câmbio. Meirelles falou de movimentos "súbitos" e lembrou que, no passado recente, algumas empresas perderam bilhões com a alta inesperada do dólar. "Temos alertado já há bastante tempo contra o excesso de euforia, contra o excesso de movimento de precificação de ativos e de riscos", disse ontem, em cerimônia na sede do BC. Um dos riscos citados pelo presidente do BC é a movimentação "súbita" da cotação do dólar e dos eventuais prejuízos decorrentes de uma variação repentina da moeda. Meirelles até reconhece a natureza do mercado de tentar se antecipar e se posicionar em relação a determinado ativo ou risco. "Não há dúvida de que o mercado procura se antecipar e, quando começa a se formar um consenso, começa a se mover com grande velocidade", disse. Mas foram os prejuízos bilionários no mercado de dólar futuro, com os chamados derivativos, os principais argumentos usados pelo presidente do BC para sinalizar que o rumo dos negócios pode mudar de uma hora para a outra. "Participantes do mercado e empresas já tiveram, no passado, prejuízos importantes por excesso de euforia, por apostarem em uma tendência de uma forma exagerada." Sem citar nomes, Meirelles se referia ao episódio em que Aracruz, Sadia (que agora se fundiu à Perdigão) e outras empresas tiveram prejuízos bilionários por apostas erradas em relação ao comportamento do dólar. Normalmente utilizado para proteção contra variações do câmbio, esse mercado foi usado por empresas que queriam aumentar o lucro com ganhos financeiros. Não há clareza sobre se essas apostas ressurgiram no mercado porque parte desses contratos pode ser firmada no exterior e em ambientes de negociação sobre os quais o BC não tem controle. Analistas, porém, avaliam que uma exposição exagerada é, hoje, reduzida. O argumento é que o prejuízo por apostas erradas ainda está "muito fresco". Apesar dos alertas de Meirelles, prevalece a previsão de que o dólar deve continuar apontando para baixo, resultado do forte ingresso de recursos no País. O Ministério da Fazenda é um dos que compartilham dessa expectativa. A equipe do ministro Guido Mantega já trabalhava com um cenário em que o fluxo, à medida que o pior da crise fosse deixado para trás, retornasse para o Brasil. Para a Fazenda, a combinação de juros elevados com um país seguro - com a economia arrumada e reservas elevadas - naturalmente atrai dólares, seja para investimentos em títulos, ações ou produção. O BC considera que a valorização do real, provocada pelo ingresso de dólares, é resultado da percepção de menor risco e da alta do preço das commodities. Diante desse cenário, a estratégia do BC é a de adquirir dólares no mercado para recompor e reforçar as reservas. No auge da crise, as intervenções do BC para conter a disparada da moeda americana envolveram cerca de US$ 36 bilhões, entre vendas no mercado à vista e operações no mercado futuro. Em tese, o BC ainda pode acumular mais reservas para fazer frente a um aporte de US$ 4,5 bilhões no Fundo Monetário Internacional (FMI) e R$ 10 bilhões acordados por Mantega para a União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Nos últimos dias, estima-se que o BC já tenha comprado US$ 2,4 bilhões, metade na quarta-feira. Essa atuação coincide com a recomendação do Banco para Compensações Internacionais (BIS na sigla em inglês) para que os países emergentes reforcem suas reservas.Muitos analistas avaliam que tantos dólares têm entrado pela chamada arbitragem, operação que se beneficia da diferença de juros entre países. A taxa básica brasileira, de 10,25%, é uma das mais altas do mundo hoje. O BC, porém, acredita que a principal razão para a alta do real não é a arbitragem, mas a posição de investidores no mercado futuro. Ontem, por exemplo, o dólar futuro de junho caiu 0,10%, para R$ 2,036, embora tenha subido 0,35% (para R$ 2,035) no mercado à vista. FRASESHenrique MeirellesPresidente do Banco Central do Brasil"Temos alertado já há bastante tempo contra o excesso de euforia,contra o excesso de movimento de precificaçãode ativos e de riscos""Participantes do mercado e empresas já tiveram, no passado, prejuízos importantes por excesso de euforia, por apostaremem uma tendência de uma forma exagerada"''Não há dúvida de que o mercado procura se antecipar e,quando começa a se formar um consenso, começa a se mover com grande velocidade."

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