BC alerta: cuidado com dinheiro fácil

O Banco Central alerta aos consumidores que tenham cuidado com a oferta de dinheiro fácil, principalmente se vier de empresas desconhecidas e que não pedem nem mesmo ficha cadastral. "O risco de estar entrando numa fria é muito grande", alerta o chefe do Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros do BC (Decif), Ricardo Liáo. Só este ano o BC recebeu 358 denúncias de pessoas lesadas por empresas que estão agindo no mercado com a promessa de dinheiro rápido e sem burocracia, além de financiamentos, cotas de consórcios e operações de leasing.O pior é que a instituição não pode fazer nada. Como elas não são instituições financeiras, essas empresas estão fora do alcance da regulação do BC. A orientação, dada pela Central de Atendimento, é que as pessoas prejudicadas procurem a polícia.O BC tem listadas mais de 50 empresas que deram o "cano" em muita gente no mercado. Entre elas estão nomes como Agescred, Alternativa, American House, Assobens, Banco do Povo, Blue Sol, Concrisa, Criativa, Credireal, Método, Multicred, Paulista, Visabem, Unilar, Unicred, Delta Prime, Investbens e Hanner. Todas se apropriaram indevidamente de recursos de terceiros, a título de pagamento de taxa de administração ou garantia para realização da operação. Depois, os responsáveis desapareceram deixando as pessoas no prejuízo."Isso é estelionato", disse Liáo. Ele explica que, oficialmente, essas empresas são chamadas de sociedades mútuas em conta de participação, uma figura jurídica prevista no Código do Direito Comercial. Para constituir uma empresa desse tipo a legislação permite a união de vários sócios, sendo que um pode permanecer oculto.As empresas normalmente são criadas por duas pessoas e o sócio oculto, explica o chefe do Decif, é geralmente majoritário. O outro, que detêm às vezes somente 1% da tal sociedade pode ser até um laranja, que atende o telefone e arruma os fregueses.O BC está preocupado com a ação dessas empresas porque elas vêm atuando numa área privativa dos bancos. Tanto que, quando são lesados, os clientes procuram a instituição para reclamar. Essas sociedades oferecem financiamento, empréstimos e até mesmo venda de pequenos bens, como geladeira e fogão, de forma semelhante aos consórcios. Quando o comprador ou a pessoa que pegou o empréstimo descobre a falcatrua, já é tarde. A empresa, muitas vezes de fachada, desapareceu.Liáo conta que com dificuldade de acesso a um empréstimo bancário, as pessoas de renda mais baixa se utilizam desse tipo de empresa. "Os jornais estão cheios de propaganda desse tipo e basta dar uma volta pelo centro de qualquer grande cidade para ver cartazes, oferecendo dinheiro e, na maior parte das vezes, dando como contato apenas um número de telefone celular".DepósitoO golpe, relatado nas denúncias ao BC, é simples. A pessoa liga, o contato promete liberar o empréstimo e pede para quem está precisando do dinheiro um pequeno depósito na conta da empresa. A pessoa deposita o dinheiro e nunca recebe os recursos negociados. Algumas vezes, a empresa chega a fazer um depósito na conta do cliente e, na seqüência, após ele pagar a quantia acertada como taxa de liberação, descobre que a operação é fraudulenta."Eles usam cheque roubado nessa movimentação", disse Liáo. Portanto, num primeiro momento - quando o cliente tira um extrato do seu banco -, aparece o depósito, que depois é estornado porque o cheque já tinha sido bloqueado pelo verdadeiro emitente. No caso de venda semelhante ao consórcio, a pessoa lesada demora mais tempo para descobrir o golpe. Ela fica pagando a quantia determinada alguns meses e só depois, desconfiada da demora, resolve procurar a empresa para reclamar. Aí também já é tarde.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.