BC alerta para aumento do uso da capacidade instalada

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje, os diretores do Banco Central (BC) voltaram a alertar para o aumento do uso da capacidade instalada na indústria. Segundo o BC, isso ocorre mesmo com a maturação dos investimentos. "A redução da margem de ociosidade é resultado da expansão da atividade, não integralmente compensada pela maturação de projetos de investimento", diz o documento do BC.

FABIO GRANER E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

25 de março de 2010 | 12h55

Recentemente, representantes da indústria, tentando adiar ao máximo a alta na taxa de juros, têm enfatizado que os investimentos estão elevando a capacidade produtiva e não há risco de inflação por excesso de demanda.

No entanto, o BC parece enxergar o oposto. "Os dados sugerem que as taxas de utilização seguiram se elevando nos últimos meses, evidenciando redução de qualquer margem de ociosidade remanescente da indústria, a despeito da retomada dos investimentos", registrou a ata divulgada hoje. "A propósito, como assinalado em notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento da demanda".

Expansão mundial

O Copom avaliou ainda que o conjunto de indicadores econômicos mundiais divulgados desde o encontro de janeiro do colegiado "é menos claro quanto à sustentação de um firme processo de retomada do crescimento econômico em 2010". A avaliação foi feita no trecho 59 do documento. "Apesar de resultados positivos para o PIB do quarto trimestre nos EUA, Japão, Área do Euro e Reino Unido, os números japoneses foram revisados em baixa, e os da Área do Euro apresentaram forte recuo com relação ao terceiro trimestre."

No Japão, os diretores do BC afirmam que há recuperação no consumo de bens duráveis, especialmente automóveis, em função de incentivos fiscais. Na Europa, o BC observa deterioração nas expectativas dos consumidores. Nos outros países, o Copom destaca a contração do índice dos gerentes de compra na China e a diminuição do número de horas trabalhadas e da remuneração semanal nos EUA.

Apesar de avaliar que a recuperação passa por oscilações, o trecho 12 do documento avalia que "os pontos mínimos da inflação nas economias maduras e em importantes economias emergentes foram ultrapassados". O texto diz ainda que a avaliação atualmente dominante do mercado internacional "aponta para recuperação em 2010 e aceleração em 2011, em processo no qual o G3 (Estados Unidos, Europa e Japão) retomaria certo dinamismo, mas que continuaria sendo liderado pelas economias emergentes".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.