BC americano faz Bovespa devolver ganhos iniciais e cair 0,28%

Decisão de manutenção do juro americano já era esperada, mas bolsas nos EUA caíram e puxaram Bovespa

Claudia Violante, da Agência Estado,

24 de junho de 2009 | 17h35

O banco central norte-americano estragou o humor dos investidores nesta quarta-feira, 24. A recuperação consistente que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vinha exibindo desde a abertura, embalada por dados dos EUA e previsões otimistas da OCDE, esvaíram-se com a decisão de manutenção dos juros nos EUA. Tudo porque o Dow Jones reagiu em baixa ao resultado do encontro, apesar de ele não ter trazido surpresas.

 

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Depois de ter atingido 1,90% de elevação no melhor momento da sessão, aos 50.758 pontos, o Ibovespa foi diminuindo os ganhos até, no meio da tarde, virar e cair até a mínima de 0,59%, aos 49.520 pontos. Fechou com um desempenho melhor, mas ainda negativo, de 0,28%, aos 49.672,12 pontos. No mês, o Ibovespa já tem perdas acumuladas de 6,63%. No ano, a alta foi diminuída para 32,28%. O giro financeiro totalizou R$ 5,353 bilhões. Os dados são preliminares.

 

Em decisão unânime, o Federal Reserve decidiu manter inalteradas suas taxas básica de juros - de zero a 0,25% ao ano - e de redesconto - em 0,50% -, além de reiterar que elas devem seguir baixas por um período prolongado. O Fed ainda decidiu não expandir os programas de compra de títulos do Tesouro dos EUA e de títulos lastreados em hipotecas e dívidas de agências. Na avaliação do Federal Reserve, o ritmo de contração econômica está diminuindo e "as condições nos mercados financeiros melhoraram de maneira geral nos últimos meses".

 

Apesar de não trazer surpresa, o resultado do encontro acabou pesando sobre os preços dos títulos americanos, além de impulsionarem o dólar para as máximas do dia em relação ao euro e ao iene e pesaram sobre os índices do mercado de ações. Alguns especialistas ouvidos pela Dow Jones avaliaram que o movimento se deu, sobretudo, pelo fato de o BC não ter expandido seu programa de compra de Treasuries e de ter minimizado o risco de deflação.

 

Nos EUA, o Dow Jones virou e caiu, para fechar em -0,28%, aos 8.299,86 pontos. Mas o S&P 500 avançou, 0,65%, aos 900,94 pontos, e o Nasdaq terminou com ganho de 1,55%, aos 1.792,34 pontos.

 

Cenário

 

Antes da decisão do Fed, as altas eram uniformes, patrocinadas pelos dados de encomendas de bens duráveis melhores do que o esperado e as previsões da OCDE, mais otimistas que as feitas no início da semana pelo Banco Mundial. O Departamento do Comércio informou que as encomendas de bens duráveis nos EUA subiram 1,8% em maio, ante previsão de queda de 0,8%. Já a OCDE elevou a previsão do Produto Interno Bruto dos 30 países-membros para contração de 4,1% em 2009, ante projeção anterior de contração de 4,3%.

 

A OCDE também revisou a estimativa para as economias desenvolvidas em 2010 e espera agora crescimento de 0,7%, ante projeção anterior de recuo de 0,1%. As estimativas para alguns países também foram elevadas, como para os EUA (de -4% para -2,8% em 2009) e para a China (de +6,3% para +7,7% em 2009).

 

No Brasil, a Bovespa trabalhou atrelada ao Dow Jones. A inversão foi garantida pelas blue chips, que já não eram destaque de elevação quando a Bolsa operava no azul. As siderúrgicas, entretanto, se despontavam entre as altas antes do Fed, mas viraram e também ajudaram o Ibovespa a cair. Apenas Usiminas PNA conseguiu segurar-se até o fim e fechar com elevação, de 1,70%. Gerdau PN -0,86%, Metalúrgica Gerdau PN, -0,80%, CSN ON, -0,35%.

 

Petrobras

ON recuou 1,32% e PN, 1,27%. Na bolsa eletrônica de Nova York (Nymex), o contrato do petróleo para agosto fechou cotado a US$ 68,67, em baixa de 0,82%. Os dados de estoques de petróleo nos EUA divulgados hoje mostraram queda de 3,868 milhões de barris na semana encerrada em 19 de junho, ante previsão de -1,3 milhão de barris. Já os estoques de gasolina aumentaram 3,871 milhões de barris, ante expectativa de elevação de 1 milhão de barris.

 

Amanhã pela manhã, Petrobras e Vale devem anunciar a formação de uma parceria entre as duas empresas para a exploração e posterior desenvolvimento do bloco BM-ES-22, localizado no norte da Bacia do Espírito Santo, segundo fontes. O diretor executivo de Finanças da Vale, Fabio Barbosa, informou nesta quarta-feira que a as importações chinesas de minério de ferro aumentaram 26% nos cinco primeiros meses do ano. Segundo ele, tanto a China quanto a India devem impulsionar uma retomada do crescimento econômico mundial.

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