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BC americano faz corte agressivo de juros e leva euforia a mercados

Redução de 0,5 ponto porcentual da taxa básica teve efeito positivo nas bolsas; Ibovespa aproxima-se do nível pré-crise

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 00h00

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) surpreendeu ontem o mercado financeiro ao reduzir a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual, para 4,75% ao ano. A maioria dos analistas esperava um corte de 0,25 ponto. A decisão do Fed deu forte impulso aos principais ativos brasileiros. Entenda por que os juros nos EUA influenciam mercado brasileiroO Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) disparou 4,28%, para 56.666 pontos, e se aproximou do nível em que se encontrava na véspera do início das turbulências no mercado - no dia 23 de julho, o Ibovespa fechou em 58.036 pontos. O dólar recuou 2,24%, para R$ 1,877, menor valor desde 2 de agosto. O risco Brasil desabou 8,5%, para 182 pontos, e também ficou perto do nível pré-crise - em 23 de julho, estava em 168 pontos.O dia também foi de euforia nas principais bolsas globais. O Índice Dow Jones avançou 2,51% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 2,71%. No comunicado divulgado após o encontro, o Fed explicou que a queda de 0,5 ponto teve por objetivo evitar que as turbulências nos mercados contaminem a economia real.''''Os acontecimentos nos mercados financeiros desde a última reunião regular (em 7 de agosto) fizeram crescer a incerteza que cerca a perspectiva econômica'''', diz o texto. ''''O comitê continuará a avaliar os efeitos desse e de outros acontecimentos nas perspectivas econômicas e agirá conforme for necessário para fomentar a estabilidade dos preços e o crescimento econômico sustentável.''''Embora tenha aliviado os investidores, a decisão não foi aprovada por unanimidade pelos analistas. ''''O Fed retomou o padrão da gestão de Alan Greenspan, que agia prontamente para socorrer o sistema financeiro'''', disse o economista-chefe do Banco Calyon Brasil, Dalton Gardiman. ''''Só que hoje a realidade é bem diferente de quando Greenspan dirigia o Fed, especialmente no que se refere à inflação. Essa decisão vai criar distorções no futuro.''''O próprio BC americano reconheceu, no comunicado, que a inflação ainda preocupa. ''''As medições do núcleo da inflação melhoraram modestamente neste ano. Contudo, o comitê julga que alguns riscos persistem e continuará a monitorar os acontecimentos relacionados à inflação com cuidado.''''O economista do Banco Santander Luciano Sobral também vê alguns riscos na decisão, mas prefere destacar o lado positivo do corte. ''''Mostra que o Fed está pronto para agir caso a situação se deteriore.'''' Para ele, aliás, a decisão do BC americano poderá ter impacto no rumo da taxa de juros (Selic) no Brasil. ''''A volta da tendência de queda do dólar pode abrir espaço para novas reduções da Selic.''''A reunião de ontem era considerada a mais importante do Fed nos últimos anos, pois ocorreu em meio a uma conjunção de fatores: crise financeira global, desaquecimento da economia americana e inflação em nível ainda alto no país. O corte de 0,5 ponto mostrou que, no balanço dos riscos, o Fed dirigido por Ben Bernanke está mais preocupado com a desaceleração do que com os preços. Resta saber se o corte será suficiente para desanuviar de vez o ambiente.O ministro da Fazenda, Guido Mantega, entende que não. Para ele, a crise não acabou. ''''A turbulência é séria, de grandes proporções, e atinge mais as economias centrais que as economias dos emergentes.'''' Ele reiterou que o Brasil está mais bem preparado para enfrentá-la. COLABOROU RENATA VERÍSSIMO

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