Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

BC americano indica outra alta de juros 'em breve'

Maioria dos dirigentes do Federal Reserve entendem que 'mais altas graduais na taxa de juros são consistentes com objetivos de máximo emprego e estabilidade de preços'

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2018 | 18h04

Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) continuam a apontar para um aperto monetário gradual nos Estados Unidos, mostrou a ata da última reunião de política monetária da instituição, divulgada nesta quarta-feira, 29.

"Quase todos os participantes reafirmaram a visão de que mais altas graduais na taxa de juros devem ser consistentes com sustentar os objetivos do Comitê de máximo emprego e estabilidade de preços", afirma a ata, segundo a qual os dirigentes sustentam que a atividade econômica tem crescido a uma taxa "forte".

Consistente com a avaliação de que o gradualismo segue apropriado, "quase todos" os participantes da reunião expressaram a visão de que outra alta dos juros deve ocorrer "em breve", diz o documento. Ao mesmo tempo, os dirigentes ressaltam que isso depende de informações que ainda virão sobre o mercado de trabalho e a inflação, em linha ou mais forte do que suas expectativas.

A ata diz que "alguns participantes", embora concordem que o aperto monetário é apropriado, veem incertezas sobre o momento ideal para essas elevações. Dois dirigentes notaram que a taxa de juros atualmente pode estar próxima de seu nível neutro e que uma elevação dela agora poderia desacelerar inadequadamente a expansão econômica e colocar pressão de baixa sobre a inflação e a expectativa para os preços.

Riscos globais

Os dirigentes do Fed avaliam que o crescimento econômico fora dos Estados Unidos "parece ter ganhado força no terceiro trimestre", apoiado por uma forte retomada das atividades em "várias economias de mercados emergentes", mostra a ata da última reunião de política monetária. Segundo os dirigentes do BC, esse impulso mais do que compensa a desaceleração da China e da maioria das economias avançadas estrangeiras. Por outro lado, o documento também expressa preocupação dos dirigentes com a perspectiva para o crescimento global.

Segundo a ata, preocupações com as tensões internacionais no comércio, a perspectiva para o crescimento global e o avanço nas taxas de juros pesaram sobre o sentimento no mercado acionário global. Incertezas com a relação comercial EUA-China e com as negociações do orçamento da Itália com a União Europeia também são citadas. Os dirigentes ainda mencionam fatores como o recente aperto nas condições financeiras e outros sinais de desaceleração em setores sensíveis aos juros.

No quadro global no terceiro trimestre, dados preliminares mostram crescimento positivo da economia do México, revertendo a contração do trimestre anterior. Além disso, indicadores sugerem uma retomada econômica no Brasil, após o País sofrer com uma greve de caminhoneiros mais cedo neste ano. Por outro lado, o crescimento da China e da zona do euro desacelerou.

A inflação no exterior acelerou no terceiro trimestre, impulsionada por preços mais altos do petróleo e, na China, pelo avanço nos alimentos. As pressões inflacionárias subjacentes, contudo, seguem contidas, especialmente em algumas das outras nações desenvolvidas, avaliam os dirigentes do Fed.

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