KAREN BLEIER/AFP
KAREN BLEIER/AFP

BC americano vê vulnerabilidades econômicas em países emergentes

Federal Reserve aponta que tensões comerciais pesam no câmbio e pressionam a inflação de economias emergentes

Victor Rezende e Francine De Lorenzo, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2018 | 16h13

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) se manteve atento aos desenvolvimentos nos mercados de economias emergentes, apontou a ata da reunião de política monetária de setembro da autoridade monetária dos Estados Unidos. De acordo com o documento, os dirigentes do Fed notaram que as tensões comerciais pesaram nos mercados acionários fora de solo americano, enquanto alguns emergentes apresentam vulnerabilidades econômicas e ficaram sob pressão. O documento citou a Argentina e a Turquia, mas não mencionou outras economias emergentes, como a brasileira.

Segundo a ata, o câmbio pressionou a inflação nessas economias emergentes em meio às turbulências sofridas por elas nos mercados financeiros. Além disso, alguns dirigentes notaram que o estresse financeiro em alguns emergentes pode ser um risco à atividade econômica.

Mercado de trabalho mais forte

Os dirigentes do Fed acreditam que as condições do mercado de trabalho continuam a se fortalecer nos Estados Unidos. "Contatos em muitos distritos reportaram mercados de trabalho restritos, com dificuldade de encontrar trabalhadores qualificados. Em alguns casos, as empresas estão lidando com escassez de mão de obra e estão aumentando os salários, benefícios ou serviços no local de trabalho para atrair e reter os trabalhadores", mostrou a ata da reunião de política monetária de setembro do banco central.

O documento também relatou que indicadores recentes sugeriram alguma desaceleração nos custos de mão de obra, embora o crescimento salarial tenha permanecido moderado pelos padrões históricos "devido, em parte, ao crescimento morno da produtividade".

Quanto à inflação, a ata traz que os riscos para a projeção de inflação são considerados equilibrados pelos dirigentes do Fed. "Em uma base de 12 meses, tanto a inflação geral quanto a inflação que exclui alimentos e energia permanecem perto de 2%" e, para os participantes da reunião, a evolução dos preços ao consumidor é "consistente com a expectativa de que a inflação está em uma trajetória para alcançar a meta simétrica de 2%". Alguns dirigentes, inclusive, acreditam que os índices de preços possam ultrapassar a marca de 2% por um período de tempo.

Projeção de inflação

A equipe de economistas revisou ligeiramente para cima as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos em 2018 e da inflação devido aos preços mais altos de energia, mostrou a ata da reunião de política monetária do Fed realizada em setembro.

O documento também revelou que as perspectivas da equipe para o PIB e o desemprego estão "balanceados" e que os economistas veem apenas um "efeito pequeno" no crescimento vindo das disputas tarifárias com a China. A equipe do Fed também acredita que o PIB dos EUA do segundo semestre será "um pouco menor" em relação aos números dos primeiros seis meses do ano.

Quanto ao mercado de trabalho, a ata revelou que a equipe do Fed vê a taxa de desemprego natural "um pouco menor" do que o visto anteriormente e que essa taxa será modestamente mais baixa no médio prazo.

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