BC amplia projeção de inflação tanto em 2009 como em 2010

Estimativa para o crescimento do PIB em 2009 é mantida em 0,8%, aponta relatório do terceiro trimestre

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

25 de setembro de 2009 | 09h01

O Banco Central elevou ligeiramente a projeção para o IPCA em 2009 no cenário de referência. De acordo com o relatório trimestral de inflação referente ao terceiro trimestre de 2009, divulgado nesta sexta-feira, 25, a expectativa de alta para o índice oficial do regime de metas neste ano subiu de 4,1% para 4,2%. Segundo o relatório, a estimativa da inflação acumulada nos 12 meses encerrados neste terceiro trimestre de 2009, por sua vez, caiu ligeiramente, de 4,4% para 4,3%, entre os dois relatórios. O relatório trimestral de inflação anterior foi divulgado em junho.

 

Para 2010, a expectativa para o IPCA subiu de 3,9% para 4,4%. Por trimestre, a estimativa do BC para a alta acumulada em 12 meses até o fim do primeiro trimestre do ano que vem subiu de 4% para 4,1%. Já a projeção para o IPCA até o segundo trimestre de 2010 foi mantida em 3,6%. Para o terceiro trimestre do próximo ano, a estimativa de IPCA acumulado em 12 meses subiu de 3,6% para

4%.

 

Para 2011, a expectativa para os 12 meses até o fim do primeiro trimestre avançou de 4,1% para 4,6%, e para o segundo trimestre, de 4% para 4,6%. No relatório divulgado há pouco, o BC anunciou pela primeira vez a projeção para a inflação acumulada até o terceiro trimestre de 2011, cuja projeção

central é de 4,5%.

 

No cenário de referência, o Banco Central estima a inflação futura com a manutenção da taxa de câmbio em R$ 1,85 e a Selic em 8,75% ao ano, durante todo o período da previsão.

 

PIB

 

O Bc anunciou que a projeção oficial para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2009 foi mantida em 0,8%, segundo relatório de inflação do terceiro trimestre. O patamar projetado é o mesmo do relatório de inflação divulgado em julho. Essa estimativa foi construída no chamado cenário de referência que pressupõe a manutenção da taxa de câmbio constante no horizonte da previsão em R$ 1,85 e a manutenção do juro básico da economia - a Selic - em 8,75%. O relatório observa que a estimativa para o PIB usa duas variáveis que "não são diretamente observáveis": que são o Produto Interno Bruto potencial e o hiato do PIB.

 

Impulsos fiscais

 

O aumento dos gastos públicos deve acelerar a inflação a partir do 2º semestre de 2010, afirma o BC. No documento divulgado nesta sexta-feira, a diretoria da autoridade monetária afirma que o aumento das projeções de inflação a partir de meados do próximo ano "em parte se deve aos impulsos fiscais esperados para o segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010, que vêm contribuindo para acelerar a retomada da atividade".

 

Em outro trecho do documento, os diretores do BC avaliam também que a elevação dos gastos públicos foi maior que o inicialmente previsto. Ao comentar as causas dessa elevação das estimativas para o IPCA, a autoridade monetária explica que a alta foi gerada pela queda da taxa Selic ocorrida desde junho "bem como ao fato de que os impulsos fiscais implementados no segundo trimestre do ano corrente foram maiores do que o esperado".

 

No relatório, os diretores do BC afirmam, ainda, que os impulsos fiscais constam da lista de principais riscos no cenário doméstico. Esses riscos, segundo o BC "estão relacionados à intensidade da recuperação da atividade, à resistência inflacionária e aos efeitos cumulativos e defasados da distensão das condições monetárias e dos impulsos fiscais". O documento diz, porém, que o recuo das estimativas de inflação para o terceiro trimestre de 2011 já reflete a expectativa de que pelo menos uma parte desses estímulos fiscais podem ser retirados a partir do segundo semestre de 2010.

 

Câmbio

 

O BC avalia que, apesar da recuperação dos preços das commodities, a valorização do real ante o dólar tem compensado o impacto desse movimento na inflação. "Mais recentemente, em que pese a recuperação dos preços das commodities, as pressões sobre os preços ao consumidor delas decorrentes têm sido de certa forma, até o momento, contrabalançadas pela apreciação cambial", afirma o BC no relatório.

 

No documento, a autoridade monetária destacou que o efeito da crise sobre a inflação brasileira foi "predominantemente benigno, com os efeitos vinculados à redução da demanda e dos preços das commodities se sobrepondo aos impactos da acentuada depreciação cambial ocorrida nos meses seguintes ao agravamento da crise mundial".

 

Segundo o BC, a trajetória das commodities permanece incerta, já que depende de fatores como o ritmo de recuperação da economia mundial. Mas o relatório diz que a percepção mais comum é de que a probabilidade maior é de elevação desses preços, e não estabilidade. "Cabe lembrar, contudo, que a análise dos possíveis efeitos inflacionários da tendência recente dos preços de matérias-primas não deve ser desvinculada da análise dos efeitos que esse movimento exerce sobre os preços de ativos brasileiros", diz o relatório.

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