BC antecipa prazo para nova regra nos fundos

O Banco Central (BC) antecipou de 30 de setembro para 31 de maio o prazo para que os gestores dos fundos de investimento adotem a nova regra de marcação a mercado dos papéis que compõem as carteiras. A decisão foi anunciada pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Luis Fernando Figueiredo, e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), segundo apurou o jornalista Gustavo Freire.A mudança de regra, segundo Figueiredo, fará com que as cotas dos fundos de investimento passem a refletir com mais realismo o valor de suas carteiras. Apesar disso, Figueiredo reconheceu que a antecipação deverá provocar aumento da oscilação do valor das cotas dos fundos de investimento nesta sexta-feira, quando terá início a marcação a mercado dos ativos desses fundos. Alguns fundos já vinham implantando a nova regra. Para estas carteiras, a oscilação será bem menor. A marcação a mercado significa que o gestor terá que atualizar diariamente o valor dos papéis que compõem a carteira do fundo. A conseqüência disso é que o valor das cotas deve apresentar uma oscilação maior a partir de agora, se comparado à situação anterior, quando a atualização dos títulos era feito pelo valor de face. Além disso, as cotas poderão apresentar variação negativa (veja mais informações no link abaixo)Na verdade, a marcação a mercado já era regra para a indústria de fundos. Porém, os gestores das carteiras alegavam que o valor de face era usado devido à ausência de regras mais claras para a precificação de alguns papéis que compõem a carteira do fundo, os quais não apresentavam liquidez para esta atualização.De fato, muitos papéis que compõem as carteiras dos fundos DI não contam com um mercado secundário forte em que o gestor possa verificar o valor de tais títulos diariamente. É o caso das debêntures de empresas privadas que, segundo as regras do BC, podem compor parte da carteira de um fundo referenciado DI. A circular 3086 estabelecida pelo BC em fevereiro deste ano, cujo prazo para implantação foi antecipado para esta sexta-feira, não estabelece uma metodologia para conversão, mas fornece caminhos para que o gestor chegue a um valor dos papéis mais coerente para a atualização diária das cotas. Regra traz vantagem para investidorCom a atualização das cotas pelo valor de face, o principal problema é que a entrada e saída de recursos não era contabilizada pelo preço real dos papéis que compõem a carteira de um fundo. O rendimento dos títulos que compõem os fundos DI incorporam a oscilação da Selic, a taxa básica de juros da economia. E, como estes papéis são negociados com um desconto que varia de acordo com as condições do mercado - tanto na hora da compra quanto na hora da venda do papel - a cota do fundo pode ficar menor (veja os motivos para a variação negativa das cotas de um fundo DI no link abaixo).Um exemplo: um fundo com apenas dois investidores (A e B), sendo que cada um possui cinco cotas, de R$ 1 mil cada uma. Considerando o momento da aplicação, o patrimônio do fundo é de R$ 10 mil. Supondo que alguns dias após a aplicação, o patrimônio do fundo continue em R$ 10 mil, segundo a marcação das cotas pelo valor de face. Isso significa que o valor da cota também permaneceria em R$ 1 mil. Tomando-se como hipótese de que o patrimônio do fundo fosse de R$ 8 mil, se este gestor usasse a marcação a mercado, haveria uma queda no valor da cota para R$ 800. Neste momento, se o investidor A solicitar o resgate total e o gestor tiver atualizado as cotas pelo valor de face, o total sacado será de R$ 5 mil. O fato é que, para pagar o resgate ao investidor A, neste exemplo, o gestor teve que vender títulos, os quais foram negociados segundo as condições do mercado. Se nesta operação, for apurado algum prejuízo, isso será repassado apenas para o investidor B que ficou na carteira. Para se ter uma idéia, caso o investidor B solicite resgate no dia seguinte ao do investidor A, o valor sacado será de apenas R$ 3 mil - patrimônio de R$ 8 mil (valor atualizado pela marcação a mercado) menos o resgate de R$ 5 mil do investidor A. Ou seja, o investidor B assumiu sozinho a variação negativa da cota. Veja mais informações sobre o assunto nos links abaixo.

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