BC anuncia nova medida para atrair dólares

Banco Central vai facilitar a captação de recursos por subsidiárias de bancos no exterior e também a transferência do dinheiro à matriz no Brasil

CÉLIA FROUFE, EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2013 | 02h06

O Banco Central anunciou ontem mais uma medida para estimular a entrada de dólares no País. A instituição vai facilitar a captação de recursos por subsidiárias de bancos no exterior e também a transferência do dinheiro à matriz no Brasil. Isso tende a fazer com que a moeda americana circule mais internamente no País, ao ser repassada para outros agentes, e diminua a pressão sobre a cotação, segundo analistas.

Para isso, o BC reduziu a exigência de capital que os bancos precisam ter para cobrir esse endividamento em dólares, uma espécie de lastro. Essa exigência varia de acordo com fatores previstos em uma fórmula criada pelo BC para limitar o endividamento e o consequente risco dos bancos em moeda estrangeira. A mudança se deu em um desses fatores.

Ainda que o grau de exigência do governo com os bancos agora passe a ser menor, o BC afirmou que a medida não afeta a solidez do sistema financeiro nacional. O argumento é de que as regras domésticas continuam sendo mais conservadoras do que o padrão internacional. Ou seja, os limites para endividamento aqui são maiores.

Cotação. A medida foi anunciada após o fechamento do mercado. Ontem, o dólar encerrou o dia cotado a R$ 2,258, o que representa uma queda de 0,012%, mas a moeda ainda acumula alta superior a 10% no ano em relação ao real.

O governo já eliminou uma série de barreiras à entrada de dólares por meio da redução do IOF e da retirada de restrições a operações cambiais, como a medida anunciada ontem.

"A medida do BC facilita para o banco. A captação fica mais fácil e o banco pode repassar os recursos aqui dentro", avaliou João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora. "Na verdade, o BC está tentando de todas as maneiras melhorar o fluxo, já que o dólar, no nível em que está, não está reagindo mais a medidas e leilões." Corrêa salientou, porém, que o impacto da mudança dependerá do apetite dos bancos em trazer dólares do exterior para emprestar aqui.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima, a medida é mais uma indicação de que a preocupação da autoridade monetária é mais com a alta do dólar do que com a volatilidade do câmbio.

Desde o início do mês, os bancos não são mais obrigados a recolher compulsoriamente recursos sobre posições vendidas no mercado à vista. Estar nessa posição, no jargão do mercado financeiro, significa que a expectativa é de queda do dólar. Os dados mais recentes do BC revelaram que, ao contrário, os bancos terminaram o mês de junho comprados em US$ 3,063 bilhões. Isso significa que a aposta é de alta da cotação. / COLABORARAM FABRÍCIO DE CASTRO, MÁRCIO RODRIGUES E FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

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