Copom deixa porta aberta para novo corte da Selic em fevereiro

Mercado vê chance de corte de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião, mas ainda não há consenso entre economistas

Sandra Manfrini e Caio Rinaldi , O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 19h28

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), deixou a porta aberta para uma nova redução da taxa básica de juros (Selic) em fevereiro de 2018, avaliaram analistas. Nesta quarta-feira, 6, o Copom anunciou o corte de 0,50 ponto porcentual (p.p) na Selic para 7% ao ano.

"O Copom deixou aberta (a porta) para corte de 0,25 p.p (da Selic) em fevereiro", afirmou Alexandre Espírito Santo, da Órama. Pela estimativa dele, a chance de corte de 0,25 p.p. no início do próximo ano é de 80%.

De acordo com o próprio BC, a taxa não deve cair abaixo de 6,75% ao ano. "O BC fez bem ao sinalizar o limite ao qual pode chegar o ciclo de cortes na taxa de juros", afirmou o economista da Órama.

++Banco Central reduz taxa Selic para 7% ao ano, menor patamar da história

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio Souza Leal, o Copom deixou encaminhado para fevereiro de 2018 o corte de 0,25 p.p. na taxa básica de juros.

Dúvida. Já para o economista-chefe da Porto Seguro Investimentos, José Pena, o comunicado da reunião do Copom trouxe um elemento novo em relação às versões anteriores.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele explicou que nas reuniões passadas, os membros do Comitê sinalizavam mais claramente a perspectiva de corte da taxa básica de juros, apresentando ponderações apenas sobre o ritmo de corte.

"Nas reuniões anteriores, quando o ritmo foi desacelerado, o comunicado falava de redução. Agora, ele diz que, diante da fase do ciclo, virtualmente no fim e diante da incerteza muito relevante sobre a aprovação da reforma da Previdência, se o cenário esperado (aprovação da reforma) acontecer, a trajetória de queda pode ser confirmada", declarou Pena.

Desta maneira, ele projeta que a próxima reunião do Copom deve ter um corte de 0,25%, para 6,75% ao ano, ou manter a taxa Selic em 7,0% a.a., sem redução. O economista reconhece, ainda assim, que a sinalização no comunicado pode ser interpretada de maneira diferente por outros participantes do mercado.

"Minha visão é de que, ou acabamos o ciclo de cortes hoje, ou teremos, no máximo, mais um de 0,25% em fevereiro", afirmou. "Ainda assim, não posso ignorar a hipótese - ainda que não seja minha leitura - de que aqueles que projetam o fim do ciclo a 6,5% a.a. leiam o comunicado da seguinte maneira: se desta vez, mais do que nas anteriores, a redução é mais suscetível a mudanças do cenário, talvez um evento importante como a aprovação da Previdência, permita a manutenção do ritmo em 0,5% em fevereiro", ponderou o economista-chefe da Porto Seguro Investimentos.

Para Pena, a ata da reunião, que será divulgada na semana que vem, deve dirimir as dúvidas sobre o espaço para um eventual novo corte da taxa Selic, até pela possibilidade de uma definição em torno da Reforma da Previdência até lá. "De qualquer maneira, independente da visão sobre a intensidade do corte em fevereiro, o mercado sabe que o fim do ciclo está próximo", ressaltou.

Na avaliação do economista, como as projeções de inflação para 2019 do Copom permaneceram em 4,20%, muito próximas ao centro da meta para o ano (4,25%), o Copom deverá manter a cautela na condução da política monetária, mesmo com a estimativa para inflação em 2018 a 4,2%, abaixo do centro da meta, que é de 4,5% para o ano que vem. "Se levar a inflação para o centro da meta em 2018, ajustar a inflação vai implicar no risco de desajustar a inflação de 2019. Se cortar mais agora, vai sensibilizar 2019", apontou. 

Previdência. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, avaliou que a aprovação de reformas estruturais, como a da Previdência, e o rigor no controle de gastos públicos são fundamentais para a manutenção da taxa de juros em patamares reduzidos.

"A reforma da Previdência é um dos principais pilares do equilíbrio permanente das contas públicas", destacou o presidente da CNI em nota divulgada nesta quarta-feira, 6, após anúncio da decisão do Copom.

Para o dirigente, a frustração da reforma colocará em risco o ajuste fiscal e a estabilidade alcançada até agora, o que poderá provocar a reversão da trajetória de queda dos juros.

Sobre a decisão do Copom, a CNI afirma que ela já era esperada pela indústria, pois a inflação está sob controle e se mantém abaixo da meta fixada para este ano, de 4,5%. "O juro baixo é fundamental para estimular o consumo e os investimentos e consolidar a recuperação da economia", afirmou o presidente da CNI. 

Alexandre Espírito Santo, da Órama, também indicou a frustração com as reformas, sem citar uma em especial, junto com as eleições como fatores que trarão incômido ao BC no segundo trimestre de 2018.

Patamar. Com a redução anunciada nesta quarta-feira, a Selic alcança o menor patamar da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996. Trata-se do décimo corte consecutivo realizado pelos técnicos do BC, que deram início ao atual ciclo de reduções em outubro de 2016, reduzindo de 14,25% para 14% a meta anual para a Selic.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.