BC aponta queda de juro e avalia que crédito poderá aumentar

A concessão de crédito no País poderá aumentar nos próximos meses, segundo avaliação do Banco Central. "Mantida a tendência de redução no custo de captação dos bancos, dentro de um cenário de inadimplência baixa e estável, poderemos ter uma dinamização das operações de crédito daqui para frente", argumenta o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes. De acordo com o levantamento feito pelo BC, as taxas de juros cobradas pelos bancos ao longo do mês de junho sofreram uma redução de 1,1 ponto porcentual em relação ao mês anterior. Tomando por base o público tomador de crédito, os juros cobrados caíram apenas 0,5 ponto porcentual para as empresas. Para as pessoas físicas, porém, a queda foi de 2,3 pontos porcentuais. A redução dos juros na ponta do consumidor e das empresas, ao mesmo tempo em que houve queda na taxa de captação de recursos dos bancos, provocou um recuo do spread bancário ? diferença entre a taxa de captação de recursos junto aos investidores e os juros cobrados nos empréstimos. A taxa média de captação de recursos dos bancos caiu para 23,6% ao ano e o spread passou de 33,7% para 33,1% em junho. Apesar da queda do spread não estar acompanhando, em velocidade e magnitude, a queda da taxa de captação, o chefe do Depec do BC chama atenção para o fato de que, ainda assim, o movimento é de recuo da taxa. "O movimento de queda é mais lento mas a tendência de queda vai continuar", argumenta Altamir, ressaltando que o spread das operações com pessoas físicas caiu 1,5 ponto porcentual no mês passado. Cenário A inadimplência nas operações de crédito do sistema financeiro manteve-se em junho em 8,8%. Olhando apenas as operações de crédito concedidas para empresas, a taxa de inadimplência ficou estável em 4,7%. Pelo lado das pessoas físicas, a taxa registrou uma leve alta - de 0,1 ponto porcentual - fechando junho em 15,5%. A queda verificada nas taxas de juros das operações de crédito em junho é uma resposta ao movimento de queda nas taxas de juros do mercado futuro, segundo avalia o chefe do Depec. "Essas taxas respondem as expectativas de queda nos juros que são refletidas no mercado futuro", explica. A redução na meta da taxa Selic também é outro fator que contribui para essa tendência de queda generalizada das taxas de juros no mercado. O chefe do Depec chama atenção para o fato de que o levantamento divulgado esta manhã pelo BC reflete apenas a queda de 0,5 ponto porcentual da Selic promovida pelo Copom) em junho. "A queda de 1,5 ponto porcentual desse mês não foi refletida nesses números ainda", argumenta Altamir. A perspectiva de aumento das operações de crédito no País é vista com bons olhos pelo BC. "O crédito concedido ainda é muito baixo", afirma Altamir, lembrando que todo o estoque de financiamento concedido pelo sistema financeiro brasileiro - cerca de R$ 381 bilhões - representa apenas 24,7% do PIB.

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