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BC argentino não consegue deter queda de reservas

Apesar de o Banco Central argentino estar captando semanalmente recursos no mercado interno, por meio de leilões de títulos em dólares e em pesos, para evitar a disparada do dólar, as reservas internacionais do país não param de minguar. Entre os dias 30 de abril, véspera do feriado de 1º de maio, e sexta-feira da semana passada, último dado oficial da autoridade monetária, as reservas argentinas caíram US$ 144 milhões.Nos últimos 30 dias, o resultado é ainda mais preocupante: os recursos do BC para suportar a pressão do mercado contra o peso recuaram de US$ 13,788 bilhões para US$ 12,027, uma retração de US$ 1,761 bilhão ou uma perda média diária de US$ 58,7 milhões. Para contrabalançar essas perdas, o BC fez, apenas nas duas últimas semanas, três leilões de Letras do Banco Central (Lebac) em dólares e em pesos pagando taxas de juros estratosféricas.No dia 29 de abril, por exemplo, a autoridade monetária pagou 94,80% por 61 milhões de pesos em Lebac de 15 dias, embora tenha oferecido 170 milhões de pesos. A oferta de US$ 60 milhões, com prazos de 15 dias, sequer teve interessados. No dia 18 de abril, havia pagado juros de 75% pelos Lebac em pesos e 20% pelo mesmo tipo de papéis em dólares.Poucos dias depois, no dia 2 de maio, o BC teve de pagar 107 14% por 45,7 milhões de pesos em Lebac de 14 dias e 39,95% por US$ 58,8 milhões. A oferta havia sido de 100 milhões de pesos e US$ 60 milhões. Ontem (terça-feira), o BC voltou a pagar 98% para captar 75,1 milhões de pesos e 36% por US$ 17,6 milhões, embora tenha oferecido ao mercado 100 milhões de pesos e US$ 40 milhões.CorralitoO governo e executivos dos principais bancos instalados no país retomaram hoje as discussões para definir as características do novo Plano Bonex, que prevê a troca dos depósitos em pesos e em dólares congelados nos bancos por títulos de longo prazo. Ontem, em seis horas de discussões, governo e banqueiros definiram apenas a elevação de 1,2 mil pesos para 2 mil pesos o limite para saques em efetivo das contas correntes a partir de junho. Mas foi mantido o esquema para aumentar progressivamente, a partir desse mês, o valor dos saques até acabar definitivamente com o corralito um mês depois que o limite de saques tenha chegado a 5 mil pesos.

Agencia Estado,

08 de maio de 2002 | 16h34

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