BC argentino tenta controlar mercado de câmbio

O mercado argentino abre hoje com sete empresas proibidas de operar com câmbio. Das 27 entidades bancárias e financeiras que foram surpreendidas com a suspensão de suas operações no mercado de câmbio, 20 passaram a tarde correndo atrás do prejuízo, ou seja, preparando o relatório de seu patrimônio e do montante em dólares de suas carteiras que foi enviado ao Banco Central, e conseguiram voltar ao mercado. A nova queda de braço entre o BC e os bancos freou a alta do dólar que fechou em 2,45 pesos na maioria das casas de câmbio, mas não ajudou a baixar a cotação da moeda. Há expectativa sobre os bancos que ainda não cumpriram a exigência do BC de enviar seu relatório. Desde a última sexta-feira, quando o BC fixou o limite de dólares em 5% do patrimônio das entidades, que tornou-se obrigatório o envio de um relatório diário sobre a moeda em poder dos bancos. O presidente do Banco Central, Mario Blejer, decidiu atuar duramente, de acordo com o ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov, para impedir um descontrole do câmbio. A equipe econômica acredita que alguns setores, como os exportadores e os bancos, estão guardando dólares. Calcula-se que os primeiros estejam retendo cerca de US$ 1 bilhão, enquanto que os segundos teriam perto de US$ 800 milhões. Os banqueiros resistem em vender uma parte de seus dólares e não querem aceitar um limite do montante de suas divisas. O Banco Central detectou que nos últimos dias as entidades financeiras realizaram grandes compras de dólares, o que influenciou na cotação da moeda.Segundo o levantamento feito pelo BC, do dia 5 ao 14 deste mês, os depósitos em pesos dos bancos no BC diminuiram em $ 1 bilhão. Os técnicos estão certos de que o destino destes pesos foi a compra de dólares e que alguns bancos chegaram a usar os empréstimos de socorro do BC - chamados de redescontos. Os banqueiros reclamam e querem que o limite de 5% passe para 10% ou 15%. Porém, o governo parece estar inflexível e o máximo que Mario Blejer pretende ceder é dar um tempo para que os bancos vendam seus dólares. Depois do setor de câmbio, o próximo que sentira a mão dura do BC será o exportador, acusado de especular com o câmbio porque está guardando o dinheiro. O governo pensa em reduzir os prazos para que os exportadores tragam os dólares do exterior , além de extinguir as exceções fiscais que o setor possui.Leilão de LetrasOutra estratégia da equipe econômica para diminuir a pressão sobre o câmbio entrará hoje em sua terceira edição. Trata-se do leilão de letras do Banco Central que foram vendidas com taxas de juros de 35% nos dois leilões anteriores. As letras terão sete dias de prazo, como as outras emissões e o BC tentará, novamente, colocar os papéis indexados em dólares que não receberam nenhuma oferta no leilão realizado na última sexta-feira. Serão oferecidos títulos em pesos no valor de $ 50 milhões e outros em dólares no valor de US$ 25 milhões. O BC fez a convocação para o leilão ontem à noite, na última hora.Leia o especial

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