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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

BC argentino tenta estratégia para reduzir o dólar

O Banco Central da Argentina quer aplicar hoje uma estratégia para reduzir a distância entre o dólar vendido nos bancos e nas casas de câmbio. O primeiro abriu em 2,90 pesos e fechou em $ 3,10 e $ 3,15; o segundo abriu em $ 3,10 e fechou entre $ 3,65 até 4,00 pesos. A oscilação nas cotações é enorme e confunde a população enlouquecida atrás das "verdinhas". A corrida ao dólar está sendo chamada pela imprensa argentina de "febre verde". Nesta terça-feira, o BC pretende incluir casas de câmbios e outros bancos na lista de entidades que vendem dólares com preço regulado. Desde ontem, o BC autorizou os bancos a voltar a vender dólares mas sob as regras da autoridade monetária. As entidades deverão obedecer o limite de somente cinco centavos acima do preço do dólar adquirido do BC. O dinheiro das reservas não deverá mais ser queimado no mercado de câmbio, pelo menos por enquanto. O Banco Central está usando os dólares da Sedesa - que precisa de pesos para sua operação de capitalização do Banco Galícia. Ontem, foram vendidos US$ 4 milhões dos US$ 80 milhões que a empresa precisa trocar por pesos. Além esta quantia, o BC vai contar com as liquidações dos exportadores e com a venda dos dólares excedentes dos bancos que podem possuir em carteira somente 5% de sua responsabilidade patrimonial. A estratégia do presidente do Banco Central de restringir a demanda de dólares por parte dos bancos e aumentar a oferta seja refletida numa cotação mais estável. Os bancos terão até amanhã para colocar no mercado de câmbio cerca de US$ 400 milhões provenientes da liquidação das exportações. Aqueles bancos que possuem dólares excedentes aos 5% permitidos também terão que colocá-los na praça, caso contrário serão punidos e deixarão de operar no mercado. O BC detectou cinco bancos com dólares acima do limite, o que deverá alcançar cerca de US$ 370 milhões. O prazo máximo para as novas exportações serem liquidadas passou de 10 para cinco dias. Estes e todos os demais dólares que entrarem no mercado deverão ser colocados à venda para a população, aumentando assim a oferta.HisteriaDo ponto de vista estratégico, as medidas do Banco Central fazem sentido, segundo os operadores, porém o nervosismo e a "histeria", como está sendo classificada a corrida ao dólar, parecem dizer o contrário. A city portenha espera outro dia de caos. Filas quilométricas, gente nervosa, e alta da moeda. A Casa Rosada, porém, continua firme em sua posição alheia à realidade e tenta transmitir tranquilidade à uma população descrente, irada e que acredita somente em proteger-se detrás da moeda verde. Muitos argentinos enfrentam as filas com somente $50 ou $100 pesos no bolso para comprar uns pouquíssimos dólares. Ninguém acredita mais na frase "quem aposta no dólar perderá", tantas vezes ditas pelo ex-ministro de economia, Domingo Cavallo, e agora repetida pelo presidente Eduardo Duhalde e seu porta-voz, Eduardo Amadeo. Ele insiste o tempo todo em que a cotação do dólar é artificial e que vai baixar. O governo está convencido e que o preço do dólar disparou por causa dos interesses setoriais como os bancos e os exportadores.O presidente Eduardo Duhalde decidiu apostar nas soluções técnicas da equipe econômica. Porém, os analistas de mercado acreditam que sem soluções políticas que acompanhem as técnicas não haverá nenhum avanço para tirar a Argentina da crise. Eles apontam para a necessidade urgente de um plano amplo que envolva o controle dos gastos das províncias, as reformas estruturais, a definição das políticas monetária e cambial , dentre outros.Leia o especial

Agencia Estado,

26 de março de 2002 | 08h06

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