BC argentino vai intervir fortemente no câmbio

O Banco Central pretende intervir fortemente no mercado de câmbio hoje para evitar uma disparada do dólar que fechou na sexta-feira a 3,75 pesos (paralelo) e em 3,68 (oficial). Para tanto, deverá vender mais reservas de forma mais agressiva e aumentar as taxas das Letras do Banco Central (Lebac). Além disso, iniciará um processo de investigação contra os exportadores devido à queda na liquidação de divisas e planeja determinar a obrigatoriedade de que as petroleiras e as companhias de minério liquidem suas divisas no BC.O BC acredita que não há razões para a alta do dólar e que os exportadores estão especulando, guardando suas divisas para liquidá-las quando a moeda estiver mais alta. Para engrossar as reservas, os técnicos jurídicos estudam a possibilidade de que as petroleiras e as mineradoras sejam obrigadas a liquidar as divisas de suas exportações no BC, o que renderia uma média de US$ 200 milhões de dólares por mês. A medida poderia ser anunciada, segundo uma alta fonte do BC, ainda nesta semana, caso o peso sofra uma "onda de especulação". No mercado, os operadores dão três explicações para o nervosismo do mercado de câmbio: a expectativa negativa em torno do acordo com o Fundo Monetário Internacional que está cada vez mais difícil de se dar; as normas do BC que restringiram a compra e venda do dólar oficial e, com isso, o paralelo sofre maior pressão; e , por último, os reflexos do "efeito-Lula" , no Brasil.A falta de um acordo com o FMI está gerando um grande nervosismo devido à proximidade que o país vai ficando de cair em um novo default, desta vez com os organismos internacionais, o que isolaria de vez o país da comunidade internacional. Para complicar o cenário argentino, a partir de amanhã começam a ser liberados os depósitos de até 7 mil pesos ou 10 mil pesos, segundo os bancos. Isso significa 2 bilhões de pesos, dos quais uma boa parte poderia parar diretamente no mercado de câmbio. Os analistas calculam que pelo menos 900 milhões poderão ser utilizados para a compra de dólares, porém acreditam também que a outra parte deverá manter-se depositada nos bancos.

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