BC atua bem para reduzir spread, diz Febraban

Presidente da federação, Murilo Portugal diz que o spread bancário é um problema de custos

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - O presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, avalia que a agenda do Banco Central para a redução dos spreads bancários “está indo muito bem”. Para o executivo, não é certa a percepção de que bancos gostam de juro alto.

“Estamos com diagnóstico certo de que esse (o spread) é um problema de custos. Precisamos reduzir os custos para conseguir reduzir o spread”, disse Portugal. O presidente da Febraban lembrou que estudo do BC mostrou que cerca de 54% do spread é dedicado a cobrir custos relacionados à inadimplência. “Não só porque a inadimplência é alta no Brasil, mas porque a recuperação dos créditos que vão à inadimplência é fraca.”

“Outra coisa são os custos operacionais elevados comparados com outros países e os custos tributários. A parte do lucro é 16% do spread”, disse, ao citar que a parcela para o lucro não é majoritária. “Existe uma visão, às vezes equivocada, de que bancos gostam de juros altos e de spreads altos. Bancos gostam de emprestar, receber de volta o que emprestaram e, para isso, é preciso que exista educação financeira, existam bons projetos e também os custos sejam acessíveis.”

Sobre a dificuldade em recuperar créditos inadimplentes, o executivo cita como exemplo a demora para que a Justiça decida sobre a recuperação de bens. “Às vezes, mesmo quando se tem garantia não se consegue recuperar, porque demora muito.” Por isso, o presidente da Febraban elogia o fato de que, na agenda pela redução dos spreads, o governo tem como um dos focos a melhora da recuperação das garantias.

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