BC atua, dólar reverte disparada e tomba 4%

O dólar encerrou a tumultuada manhã de negócios desta quinta-feira em forte queda, após o Banco Central realizar uma série de intervenções e anunciar que seu programa de swap cambial pode chegar a 50 bilhões de dólares. A moeda norte-americana encerrou a primeira metade da sessão cotada a 2,283 reais para venda, em queda de 4,12 por cento, após ter chegado a subir 6 por cento e a cair 5 por cento. "O BC está querendo é mostrar que ele tem lastro para bancar a coisa... Então, isso tudo reverte numa situação de alerta a eventuais especuladores, de que se precisar, ele (o BC) vai utilizar todo o arsenal de que dispõe", avaliou Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros. A movimentação da autoridade monetária se iniciou com o anúncio do volume de 50 bilhões de dólares para seu programa de leilões de swaps cambiais, num momento em que o dólar operava nas máximas do dia no mercado à vista. Minutos depois do anúncio do caminhão de dólares disponíveis para swaps, o BC entrou no mercado à vista com um leilão de venda. Sem perder tempo, a autoridade monetária engatou uma segunda venda de dólares. E na escalada de atuações, o BC anunciou um inesperado leilão de swap cambial tradicional. Na véspera tinha informado que haveria uma operação desse tipo às 12h45, mas o novo leilão ocorreu antes do já programado. Nos dois leilões de swap, o BC vendeu 46.000 contratos, o total ofertado, equivalente a 2,2 bilhões de dólares. Além disso, o banco fez mais um leilão de venda no mercado à vista. "A gente está numa situação em que a gente sofre a influência de todo o mercado externo e lá fora a situação não está diferente", afirmou Arruda referindo-se à turbulência externa diante de uma possível recessão global. No mercado acionário, a Bovespa e as bolsas de valores nos Estados Unidos operavam com fortes oscilações. "Eu acho que o mercado vai continuar com uma situação muito complicada, muito volátil... Todo mundo ainda não sabe o tamanho do rombo (causado pela crise)", avaliou Arruda. (Reportagem de Jenifer Corrêa)

REUTERS

23 Outubro 2008 | 14h00

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