BC atua, faz dólar cair para R$ 2,083 e efeito favorece Bovespa

Cenário:

FABRÍCIO DE CASTRO , O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h08

Omercado de câmbio tentou, nos últimos pregões, descobrir se o dólar tinha ou não um novo intervalo de flutuação. E de tanto insistir, parece ter chegado ao limite do Banco Central (BC), que anunciou no fim da manhã de ontem um leilão de swap cambial tradicional - equivalente à venda de moeda no mercado futuro - assim que a divisa dos EUA se aproximou dos R$ 2,12, nível considerado agora, por vários agentes, o novo teto para o dólar no Brasil.

Antes de a autoridade monetária entrar no mercado, a moeda americana subia de forma consistente no mercado de balcão, reagindo a declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o câmbio "não está em posição totalmente satisfatória". Mas bastou o BC atuar para que o avanço da divisa perdesse força até se transformar em perdas. No fim do pregão, o dólar à vista no balcão cedeu 0,67%, para R$ 2,0830. Na semana, a moeda ainda teve alta de 0,14% ante o real.

O recuo do dólar ontem acabou influenciando indiretamente a Bovespa. Isso porque o patamar mais comedido da moeda aliviou um dos focos de pressão sobre a Petrobrás. Importadora de petróleo e gasolina, a estatal veria seus custos crescerem ainda mais com o dólar valorizado. Após a intervenção do BC, os papéis da petroleira se firmaram no terreno positivo e terminaram o dia com valorização próxima de 3%. Além disso, os investidores aproveitaram o fato de as ações das empresas de energia estarem depreciadas para irem às compras, fazendo com que a Eletrobrás - destaque de baixa nos últimos dias - passasse a figurar entre os maiores ganhos do Ibovespa, que terminou a sexta-feira em alta de 2,01%, aos 57.574,03 pontos. Na semana, o avanço do índice foi de 3,92%.

Outro mercado influenciado pelo dólar foi o de renda fixa. Da mesma forma que a valorização da divisa dos EUA fez as taxas dos contratos futuros de juros subirem, em virtude das preocupações com os impactos deste movimento na inflação, a desvalorização registrada ontem recolocou as taxas em sentido de baixa. Mas foi a decepção com a criação de empregos no Brasil e o fraco desempenho da arrecadação federal que consolidaram, à tarde, a queda dos juros. No exterior, em um dia de liquidez menor devido à Black Friday nos EUA, o otimismo prevaleceu. Em Nova York, o índice Dow Jones subiu 1,35%, o Nasdaq avançou 1,38% e o S&P-500 teve alta de 1,30%. Com o resultado, os índices tiveram a maior alta semanal desde a semana até 8 de junho em termos porcentuais.

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