BC atua, mas dólar avança 0,53% com cenário externo ruim

Cenário:

NALU FERNANDES, ANA LUÍSA WESTPHALEN , O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h06

O Banco Central (BC) bem que tentou retirar a pressão de alta do dólar ante o real, por meio de dois leilões de linha - venda da moeda americana com compromisso de recompra -, mas as preocupações com a situação fiscal dos Estados Unidos foram mais fortes ontem. O dólar firmou-se no território positivo ante o real desde o início do dia, em sintonia com o movimento de alta da moeda norte-americana ante outras divisas com elevada correlação com commodities. Durante a tarde, a autoridade monetária anunciou mais um leilão de linha, desta vez para o dia 26 de dezembro. A informação saiu com o mercado à vista de dólar já fechado e a moeda terminou cotada a R$ 2,0730 no balcão, com alta de 0,53%.

Nos EUA, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, criticou o presidente Barack Obama e disse que a proposta da Casa Branca não resolve o problema fiscal. Por outro lado, sinalizou que as negociações continuam e que a Câmara voltará ao trabalho após o Natal, se for preciso. Já a líder democrata na Câmara, Nancy Pelosi, disse esperar que o Congresso e o governo cheguem a um acordo para a redução dos déficits, mas advertiu que o caminho para isso é incerto.

A falta de acordo impulsionou a busca por ativos mais seguros, como o dólar, e trouxe uma pressão baixista para o petróleo e as ações. Os principais índices acionários em Nova York terminaram em baixa consistente. O Dow Jones caiu 0,91%, o S&P 500 cedeu 0,94% e o Nasdaq recuou 0,96%. Influenciado por esse ambiente negativo, o Ibovespa terminou o dia com perda de 0,44%, aos 61.007,03 pontos. Foi a primeira queda após três sessões, mas ainda assim o Ibovespa fechou a semana com ganho de 2,35%. As ações ON da Petrobrás tiveram declínio de 1,83%, enquanto o papel PN recuou 1,71%. No caso da Vale, as ações ON caíram 0,85% e as PNA registraram recuo de 0,76%.

No mercado de renda fixa, os investidores deixaram as notícias internacionais em segundo plano e se apegaram aos dados positivos do mercado de trabalho. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou pela manhã números fortes, como uma taxa de desemprego de apenas 4,9% em novembro e um rendimento médio de R$ 1.809,60. Com isso, as taxas dos contratos futuros de juros avançaram, em especial nos contratos com prazos intermediários. As longas acabaram cedendo levemente com a piora dos mercados internacionais.

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