BC atuará se identificar falta de liquidez no câmbio, diz Tombini

Presidente do Banco Central prevê que a volatilidade do câmbio continuará enquanto os problemas dos países da Europa não forem resolvidos

Fernando Nakagawa e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

27 de setembro de 2011 | 14h56

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, repetiu o discurso de que a instituição está pronta para agir no mercado cambial se necessário. Em audiência nesta terça-feira, 20, no Senado, ele disse, inclusive, que a instituição poderá voltar a oferecer financiamento ao exportador se houver falta de oferta desse crédito no mercado. Na crise de 2008 e 2009, o BC agiu nesse segmento.

"Na semana passada, atuamos no mercado futuro e estamos prontos para fazer com que os mercados funcionem de maneira adequada. Se identificarmos falta de liquidez, vamos agir. Se falta linha de financiamento de comércio exterior, por exemplo, temos condição de dar liquidez a esse mercado", disse. Na semana passada, o diretor Aldo Luiz Mendes havia dito que o BC também poderia agir no mercado à vista.

Respondendo às perguntas dos senadores, o presidente do BC reafirmou que o regime de câmbio no Brasil é e continuará a ser flutuante. "Seria uma loucura mexer com o nosso regime que funciona bem e colocar uma banda de câmbio", respondeu, rechaçando a hipótese de que a instituição opera no mercado de câmbio para, por exemplo, estabelecer uma banda de variação da moeda. "Não há questão de banda."

Tombini explicou que o BC decide atuar no mercado de câmbio para manter condições adequadas nos negócios. "Olhamos a velocidade, a funcionalidade, peculiaridades do mercado. Se não existe provedor de recurso, se não há liquidez, atuamos porque estamos preparados para restabelecer o nível de funcionalidade", disse.

'Podemos esperar volatilidade no câmbio'

Tombini previu ainda que a volatilidade do câmbio continuará enquanto os problemas dos países da Europa não forem resolvidos. "A volatilidade depende do movimento internacional do dólar. Houve um aumento do dólar contra todas as moedas. Não foi diferente em relação ao real. A diferença do Brasil é que temos capacidade de atuar e fazer com o que o mercado funcione de forma adequada para enfrentar a volatilidade natural nesse período", avaliou. "Enquanto as questões maiores do cenário internacional, como a crise soberana da Europa, não forem resolvidas de forma mais definitiva, podemos esperar à frente volatilidade das moedas e dos mercados", acrescentou.

Para Tombini, esse é um movimento internacional e não só no Brasil. "O BC está pronto para fazer com que os vários segmentos do mercado de câmbio funcionem de forma adequada e com liquidez", afirmou

Questionado sobre declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o governo não adotará mais medidas para enfrentar a crise, Tombini respondeu: "Nós estamos de acordo obviamente. O Brasil e o Banco Central têm dito que em relação ao mercado de câmbio irá atuar sempre que encontrar uma disfuncionalidade para prover condições adequadas de funcionamento nesse mercado. Temos instrumento e nos preparamos para isso. E é assim que atuaremos nesse momento de maior turbulência no mercado internacional".

'Repasse de variação do dólar na inflação é de 5% em 12 meses'

Tombini repetiu nesta terça a avaliação de que o efeito das variações do dólar na inflação brasileira é cada vez menor. "Vimos que o repasse do câmbio para a inflação diminuiu ao longo do tempo", afirmou. Segundo cálculos internos do BC, a inflação sente, em um prazo de 12 meses, cerca de 5% da variação do câmbio. Ou seja, se o dólar subir 10%, a inflação avança 0,5 ponto em 12 meses.

Tombini usou como argumento o efeito do aumento do dólar na crise de 2008 e 2009 na inflação brasileira. Segundo ele, mesmo com redução na época do juro básico da economia em 5 pontos porcentuais, estímulos fiscais e valorização do dólar, a inflação permaneceu dentro da meta naqueles dois anos.

Ao ser questionado sobre os impactos da crise financeira internacional sobre a economia brasileira, Tombini lembrou que a ata da reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) previa que o Brasil sentiria cerca de um quarto do efeito visto na crise de 2008/2009. O efeito, porém, poderá ser alterado. "Se ocorrer um novo evento, será preciso reavaliar os impactos", disse.

 
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