André Dusek/Estadão
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Banco Central eleva projeção para inflação e reforça aposta de mais aumento do juro

Na ata do Copom, o Banco Central elevou a projeção de reajuste de preços administrados em 2015 de 11,8% para 12,7%; mercado espera alta de 0,5 ponto da Selic na próxima reunião do Comitê

Adriana Fernandes, Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 09h06

BRASÍLIA - O Banco Central revisou mais uma vez para cima sua projeção para os preços administrados de 2015, que incluem serviços como energia elétrica e combustíveis. Conforme a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), esse conjunto de itens apresentará elevação de 12,7% este ano, e não mais de 11,8% como constava na edição anterior. No documento de março, a estimativa era de 10,7%.

A elevação reforçou a aposta do mercado em uma nova alta da taxa básica de juros Selic na próxima reunião do Copom, em 28 e 29 de julho. Na semana passada, o Copom decidiu aumentar a taxa Selic para 13,75% ao ano. No último Relatório Focus, divulga nesta segunda-feira, o mercado aumentou a projeção para o juro no fim de 2015 para 14%. 

As projeções do Banco Central para a inflação de 2015 foram ampliadas em relação à reunião anterior do colegiado. Tanto no cenário de referência quanto no de mercado, as previsões permaneceram acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O Bc não divulga, contudo, qual a projeção oficial para o IPCA. Vale lembrar que no último Relatório Trimestral de Inflação a autoridade monetária já considerava que a chance de estouro da meta era de 90% e, desde então, as expectativas do BC para o comportamento dos preços só subiram. 

 O Banco Central elevou o tom e passou a usar palavras mais duras em relação a piora do custo de vida. A instituição afirmou que é preciso "determinação e perseverança para impedir" que a inflação se transmita para prazos mais longos. O BC também manteve o trecho que reafirma que a política monetária deve "manter-se vigilante", reforçando o tom hawkish do documento.

Apenas a manutenção do "vigilante" já era apontada pelo mercado como uma senha para a continuidade do ciclo de aperto monetário. Agora, com a introdução das palavras "determinação" e "perseverança", a avaliação de que o Copom dará ao menos mais uma alta na taxa Selic deve ganhar peso.  

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'Nesse contexto, conforme antecipado em Notas anteriores, esses ajustes de preços fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015, necessitando determinação e perseverança para impedir sua transmissão para prazos mais longos', disse um trecho da ata do Copom
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Próximo ano. Para 2016, a estimativa da autoridade monetária para o IPCA permaneceu estável também em ambos cenário e igualmente acima da meta de 4,5%. Entregar a inflação no alvo no ano que vem é o foco de atuação do BC no momento, já que, para este ano, a autoridade monetária promete apenas evitar a contaminação da atual alta dos preços para o restante da economia, contendo, assim, os efeitos secundários.

A diretoria manteve em 5,3% a alta de preços administrados para 2016. Estas previsões foram a base para que o colegiado ampliasse na semana passada a taxa Selic de 13,25% para 13,75% ao ano. Apesar dos sucessivos aumentos, o parâmetro do BC ainda está em um patamar mais baixo do que a expectativa de analistas do mercado financeiro. No Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, a mediana das projeções para os preços administrados estava em 13,94% para este ano e em 5,80% para o próximo. 

A ata de hoje revela que, para estimar a elevação desses itens, o BC considerou uma alta de 41% na tarifa de energia elétrica este ano. Na edição de maio, a previsão era de 38,3%. No caso de telefonia fixa, a autoridade monetária prevê agora uma queda de 4,4% ante baixa de 4,1% da ata anterior. A diretoria também levou em conta a hipótese de elevação de  9,1% do preço da gasolina (antes estava em 9,8%) e de alta de 3% do preço do botijão de gás, substituindo um previsão de aumento de 1,9% na ata anterior. 

Dólar. O Banco Central usou como referência para suas projeções e decisão sobre a alta da taxa básica de juros para 13,75% na semana passada uma taxa de câmbio de R$ 3,15. A informação difere da premissa usada para o dólar no documento anterior, de R$ 3. O novo valor considerado para o dólar está mais alto do que a cotação exibida ao final do dia em que o colegiado tomou sua decisão de manter o ritmo de alta dos juros em 0,50 ponto porcentual. Na quarta-feira da semana passada, a moeda norte-americana fechou em R$ 3,1320. Na ata de maio, a cotação de R$ 3 estava acima do valor negociado no dia da decisão em abril, de R$ 2,9540.  

No Relatório de Mercado Focus, a mediana das previsões para o dólar estão paralisadas há algumas semanas. Para o fechamento de 2015, a previsão do mercado financeiro é de uma cotação de R$ 3,20 e, para um ano depois, de R$ 3,30. Para formar seu cenário de referência, a diretoria considerou também a Selic em 13,25% ao ano. 

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