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BC aumenta projeção para IPCA e considera avanços no combate à inflação insuficientes

Ata do Copom repetiu que os avanços no combate à inflação ainda não são suficientes e elevou a perspectiva para o IPCA, indicando assim que pode promover novas altas da taxa de juros

O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 08h52

Mesmo após ter elevado a taxa básica de juros Selic para 12,75%, o Banco Central considerou que os avanços no combate à inflação ainda "não se mostram suficientes". A ata do Copom, divulgada uma semana após a decisão do Comitê de Política Monetária, elevou a projeção para a inflação, indicando assim que pode promover novas altas da taxa Selic.

Segundo a ata do Copom, o cenário de convergência da inflação em 2016 para o centro da meta do governo, de 4,5%, em tem se fortalecido. "Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo – ainda não se mostram suficientes", diz o documento.

O Copom elevou suas projeções de inflação para 2015 no cenário de referência e no de mercado na ata divulgada nesta quinta-feira em relação ao porcentual considerado no documento de janeiro. Nos dois casos, segundo o BC, a estimativa permanece acima do centro da meta de 4,5%. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado em dezembro, o BC informou que a previsão para o IPCA de 2015 no cenário de referência havia subido de 5,8% para 6,1%. No cenário de mercado, houve uma redução da projeção de 6,1% para 6%.

o BC retirou do parágrafo 27 a percepção de que a inflação ainda este ano entra em longo período de declínio. Essa observação constava do documento publicado em janeiro, pela instituição e também fazia parte dos discursos dos porta-vozes da autoridade monetária desde o final do ano passado. Para o Copom, foi mantida de janeiro para agora a observação de que o fato de a inflação atualmente se encontrar em patamares elevados reflete, em grande parte, a ocorrência de dois importantes processos de ajustes de preços relativos na economia. Esses processos de ajustes são o realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e o realinhamento dos preços administrados em relação aos livres. 

Na última sexta-feira foi divulgado o IPCA de fevereiro que mostrou um avanço nos preços de 7,70% em 12 meses, o maior nível desde maio de 2005. Nesta segunda-feira, no relatório Focus, os analistas passaram a projetar alta de 7,77% da inflação em 2015.

O BC avalia agora que o consumo das famílias tende a se estabilizar. Na ata anterior, relativa à reunião dos dias 20 e 21 de janeiro, o BC avaliava que o consumo das famílias tendia a registrar ritmo moderado de expansão. Os preços administrados, porém, tendem a subir, o que pode pressionar a inflação.

2016. Sobre o IPCA de 2016, o BC explicou que, nos dois cenários, a previsão diminuiu, mas permanece acima do centro da meta, também de 4,5%. Na edição anterior, a alta dos preços para o ano que vem havia permanecido "relativamente estável", segundo a instituição. Os porta-vozes do BC têm repetido em várias ocasiões que, a despeito da elevação da inflação no início deste ano, a perspectiva é de que haja uma desaceleração no decorrer do ano, o que levaria a autarquia a entregar o IPCA em 4,5% no fim de 2016.

A projeção que constava no RTI para o IPCA de 2016 era de 5% no cenário de referência e de 4,9% no de mercado. A mediana das expectativas no boletim Focus da última segunda-feira para o IPCA de 2016 é de 5,51%. (Com informações da Agência Estado)

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