BC avalia que efeitos da crise têm sido superados

Na região Sudeste recuperação industrial é impulsionada pela oferta de crédito

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

11 de fevereiro de 2010 | 16h36

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, disse hoje, em Curitiba, que as projeções feitas no fim do ano passado de que 2010 seria o início de um novo ciclo de crescimento na economia brasileira estão se confirmando. "Os efeitos da crise global sobre a economia brasileira têm sido superados", afirmou. Ele esteve em Curitiba para divulgar o Boletim Regional do Banco Central. "Os dados corroboram essa avaliação (de crescimento)."

Segundo Mesquita, na Região Sudeste, a recuperação industrial, iniciada no segundo semestre de 2009, tem se mantido, principalmente em consequência da desoneração tributária de bens duráveis e da oferta de crédito. "A queda foi aguda, mas a recuperação também é forte", destacou. Na Região Sul, na qual se deteve mais durante a exposição, o diretor ressaltou que a recuperação deve-se ao desempenho da indústria e do varejo, associado ao crescimento da massa salarial, expansão das operações de crédito e retração nas taxas de inflação. Além disso, há expectativa de boa safra agrícola.

No entanto, o relatório aponta que a retomada econômica vem acompanhada pelo recrudescimento das pressões inflacionárias, "em processo que requer atitude vigilante por parte da autoridade monetária, visto que pode sinalizar tendência de desvio em relação à trajetória de metas por parte do índice agregado". Em entrevista coletiva, Mesquita foi questionado sobre os números que já apontam nesse sentido. "A inflação de 12 meses, de fato, situa-se acima da meta. O que a gente trabalha é sempre o horizonte temporal de nove a 12 meses, olhando para frente", afirmou. "Ela estava um pouco abaixo da meta, ficou um pouco acima, o nosso trabalho é evitar que ela desvie de forma consistente e significativa em relação a 4,5%."

Ele também destacou que ainda não há qualquer indicativo para se rever a previsão de crescimento econômico do País de 5,8% este ano. "O Banco Central sempre pode mudar a cada relatório de inflação, o próximo será no final de março e até lá dá para coletar novos dados, atualizar cenários e, se for o caso, atualizar projeções sobre a economia brasileira", disse. Sobre a possibilidade de tomar medidas mais duras em ano eleitoral, Mesquita foi sucinto: "O Banco Central trabalha para fazer com a inflação convirja para a trajetória de metas todo ano, chova ou faça sol."

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