BC avalia reação de investidores à emissão de títulos com cláusulas

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o BC já está avaliando a reação dos investidores a uma eventual inclusão de Cláusulas de Ação Coletiva (CAC) em futura emissão de títulos soberanos brasileira. As CACs são um mecanismo pelo qual a renegociação da dívida não precisará mais da aprovação de 100% dos investidores, mas sim de uma maioria pré-estabelecida nos contratos. "Estamos discutindo a questão das cláusulas, como também outros pontos prazos de uma possível emissão e risco-País, com os investidores", afirmou Meirelles em Washington. Na semana passada, o diretor de assuntos internacionais do BC, Beny Parnes, teve uma série de encontros com investidores em Nova York, Boston e Washington.Nesta segunda-feira, o próprio Meirelles se reunirá com investidores em Nova York, antes de ter um almoço na sede do Federal Reserve de Nova York (Fed). Nas últimas semanas, cresceram os rumores de que o Brasil está prestes a emitir US$ 1 bilhão em títulos da dívida de 10 anos de prazo. "Temos que ver primeiro qual será a reação dos mercados a essas cláusulas", afirmou Meirelles. Ele disse que as CACs são um avanço em relação à proposta para o tema da diretora-gerente-adjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, conhecida como mecanismo de reestruturação de dívida soberana (SDRM, na sigla em inglês), o qual prevê uma espécie de corte internacional que permite as concordatas de países. O secretário do Tesouro norte-americano, John Snow, disse que as CACs são o veículo correto para tratar de reestruturação da dívida soberana e pediu que os países emergentes seguissem o "exemplo de liderança" do México, que na semana passada lançou papéis já com as novas cláusulas. "Mas ainda há muitas incertezas sobre as CACs e nós vamos agir com muita prudência nessa área", explicou. Uma das incertezas refere-se ao custo de se incluir tais cláusulas nos contratos dos títulos. "No caso do México, se houve uma mudança no preço da emissão, foi muito pequena", disse. O México, contudo, lembrou Meirelles, tem uma classificação de risco de "investment grade" (grau de investimento), enquanto o Brasil ainda tem rating de grau especulativo. "Não se sabe se as CACs será bem aceita pelo mercado de Nova York como é bem aceito em Londres, por isso que o Brasil não tomou posição nem se definiu a esse respeito", disse.Além de estar sondando com os investidores o grau de aceitação das CACs em futuras emissões, Meirelles disse que esperaria fazer uma avaliação com base também em emissões soberanas de outros países. "Esse é um assunto que está amadurecendo", salientou. Até mesmo se o Brasil fará uma emissão de títulos no curto prazo não está definido, segundo o presidente do BC. "Não definimos ainda se haverá uma emissão e em que condições", afirmou. O País, segundo Meirelles, não tem pressa. "O Brasil tem fluxo de caixa suficiente para cumprir seus pagamentos das obrigações de dívida. Caso haja uma emissão, os recursos serão destinados para recomposição de reservas", explicou Meirelles. "O Brasil tem tranqüilidade para esperar o momento certo", ressaltou. Ele disse que a situação do ponto de vista das contas externas do Brasil está confortável.

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