BC brasileiro precisa elevar juro para baixar inflação, diz Blinder

Para ex-vice-presidente do Fed, índice de preços do País está muito acima dos padrões internacionais

RICARDO LEOPOLDO, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h06

O Banco Central deveria elevar os juros, pois a inflação no Brasil "está muito acima dos padrões internacionais", afirmou com exclusividade ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o ex-vice-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) Alan Blinder. "Os juros são praticamente o único instrumento eficiente para baixá-la", comentou.

Segundo ele, "pode parecer estranho" o BC no País ser um dos poucos no mundo a elevar os juros quando instituições semelhantes de economias avançados lutam para sair de taxas próximas de zero com políticas inéditas de afrouxamento quantitativo. Contudo, ele ponderou que é alta a marca de 6,59% atingida pelo IPCA em março, no acumulado em 12 meses.

Na avaliação de Blinder, "o Brasil ainda não está preparado para ter um banco central com mandato duplo como nos Estados Unidos". Segundo ele, para que isso ocorra, a inflação no Brasil precisa se consolidar em níveis mais baixos, embora ressalte que os índices de preços no País melhoraram muito nos últimos 15 anos.

"Além disso, a independência do Banco Central é relativamente jovem", disse, destacando que a completa autonomia de uma autoridade monetária não se baseia somente no firme controle do custo de vida, mas também num fator cultural - a credibilidade perante a sociedade.

"Há muito pouco em matéria de leis que asseguram a independência do Federal Reserve. Contudo, são profundas as tradições relativas ao Fed, o que me deixa totalmente despreocupado sobre esta questão envolvendo o banco central americano."

Para o professor de Princeton, o País "está bem com o sistema de inflação flexível, que olha para preços sem descuidar do nível de emprego".

Mas, segundo ele, como o Brasil tem em sua história recente o registro de vários anos com índices ao consumidor excessivamente elevados, seria mais oportuno perseguir níveis mais baixos do IPCA.

"Contudo, o que existe hoje não é nada parecido com o registrado algumas décadas atrás", ressaltou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.