BC capta de US$ 1,25 bi na primeira operação do ano

Indiferente às incertezas provocadas no mercado de capitais pela crise argentina, o Banco Central anunciou nesta segunda-feira a captação de US$ 1,25 bilhão. Foi o primeiro lançamento de bônus da República no mercado global neste ano e a operação serviu para medir a credibilidade do País entre os investidores internacionais.Com a operação, o BC já garantiu um quarto da meta de colocar US$ 5 bilhões em novos papéis no mercado externo em 2002. No ano passado, o total captado pelo governo no exterior atingiu US$ 6,68 bilhões.A operação foi coordenada pelos bancos J.P. Morgan Chase e Salomon Smith Barney. Os papéis, com prazo de vencimento de 10 anos, pagarão juros nominais de 11% ao ano, 754 pontos de porcentahem acima dos títulos do tesouro dos Estados Unidos com características semelhantes.Como a colocação foi feita por 91,04% do valor de face, os títulos garantiram uma taxa de retorno de 12,6% ao ano. O diretor de Assuntos Internacionais do BC, daniel Gleizer, destacou que essa taxa ficou ligeiramente abaixo dos 12,62% que eram pagos hoje pelos papéis de 10 anos do Brasil colocados no mercado em 1999.Demanda maiorSegundo Gleizer, a demanda pelos papéis brasileiros atingiu US$ 2,1 bilhão, mas o BC decidiu limitar as colocações apenas a US$ 1,25 bilhão. ?Esse é um valor que já ficou 25% acima do que pretendíamos captar, e que nos pareceu mais adequado?, disse Gleizer. De acordo com o diretor, 65% da demanda teve origem no mercado americano e 35% na Europa.Os recursos captados pelos bônus irão reforçar diretamente as reservas internacionais líquidas do País, que estavam em US$ 28, 86 bilhões no final de novembro. O acordo em vigor com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estabelece um piso de US$ 20 bilhões para as reservas líquidas, que não incluem os recursos emprestados diretamenteao País pelo organismo.Com essa nova captação, o BC praticamente garantiu a rolagem dos vencimentos do principal da dívida externa do governo federal neste ano, que, segundo Gleizer, somam US$ 2,9 bilhões. É que o total captado no ano passado já havia ficado bastante acima dos vencimentos de US$ 4,109 bilhões, deixando para 2002 uma folga de US$ 2,572 bilhões. SuperfinanciadoCom o recebimento antecipado de US$ 2,5 bilhões em títulos da dívida da Polônia, as chamadas ?polonetas?, realizado no final do ano passado, o Brasil está ?superfinanciando as necessidades de pagamentos do setor público em 2002?, disse Gleizer.Caso o setor privado também não tenha problemas para rolar o vencimento de suas dívidas, a tendência é de que haja crescimento das reservas internacionais neste ano.Esta não é primeira colocação de títulos no mercado realizada por uma instituição oficial brasileira desde que começou a ocorrer o chamado "descolamento" das economias do Brasil e da Argentina. No dia 20 de dezembro, quando a crise argentina chegava a um dos seus pontos mais críticos, com a renúncia do ex-presidente Fernando de La Rua, o Banco do Brasil concluiu com sucesso uma captação de US$ 450 milhões com prazo de sete anos.Os papéis do BB, lastreados no fluxo de recursos da agência de Nova York, pagaram 7,89 % ao ano. A expectativa inicial do Banco era captar US$ 300 milhões.

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