BC chinês avisa que elevará o juro em 2008

Objetivo da autoridade monetária é conter a alta dos preços no país

O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2007 | 00h00

O Banco Popular da China disse ontem que vai implementar uma política monetária mais apertada no ano que vem, abandonando sua posição anterior de prudência. A mudança na condução da taxa básica de juros chinesa já era esperada por analistas, em conseqüência da alta da inflação no país. O Índice de Preços ao Consumidor chinês está perto de 7% em termos anualizados, nível considerado elevado demais pelas autoridades. O anúncio seguiu-se à reunião de trabalhos econômicos do país, quando o governo monta suas políticas econômicas para o ano seguinte. A reunião começou na segunda-feira e foi encerrada na madrugada de ontem.Em um comunicado publicado em seu site na internet, o banco central chinês disse que vai fortalecer a gestão de liquidez, melhorar o mecanismo da taxa de câmbio do yuan, regular a demanda doméstica e trabalhar para melhorar a situação dos pagamentos externos do país. A instituição acrescentou que vai estimular o papel da política monetária no controle econômico do governo. O objetivo de Pequim é evitar o superaquecimento econômico e a inflação difundida. PAULSON RECLAMAO secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, afirmou que a China não está se movendo rápido o suficiente em direção a uma política cambial mais flexível, criando o risco de crescimento dos desequilíbrios econômicos e do sentimento protecionista. Paulson, que vai de novo à China na próxima semana, reconheceu que o ritmo da reforma cambial "acelerou". Contudo, disse que o progresso "ainda não é rápido o suficiente para reduzir o superávit comercial da China, seus desequilíbrios internos ou pressões do mercado de câmbio". As palavras constavam de um discurso preparado para um evento na Sociedade Ásia. "Uma moeda mais flexível é especialmente importante agora, quando os riscos de inflação estão claramente aumentando na economia chinesa", disse. Além das questões simplesmente econômicas, Paulson disse que a questão câmbio "se tornou um marco para as preocupações mais amplas sobre a competição da China". Temores nos EUA sobre a competição da China são baseados em idéias erradas, disse o secretário americano, alertando que o maior risco seria se o progresso das reformas econômicas fosse muito lento. Observando o crescimento do "nacionalismo econômico" na China, igualmente, Paulson disse que seria mais fácil para ele conter o sentimento protecionista em casa "se o público americano e o Congresso dos EUA virem que a China é séria sobre a reforma e a expansão do acesso aos seus mercados". Paulson afirmou que o terceiro encontro do Diálogo Econômico Estratégico EUA-China (SED, na sigla em inglês), na próxima semana nos arredores de Pequim, vai ocorrem em um "momento delicado", após a eleição de um novo Comitê Central da China em outubro.

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