BC cita 'prudência' para justificar pausa em cortar juros

Segundo ata da reunião do Copom, riscos inflacionários reduzem margem de segurança da política monetária

Fabio Graner e Gustavo Freire, da Agência Estado,

25 de outubro de 2007 | 09h14

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) destaca a importância da prudência na condução da política monetária no atual momento para justificar a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em sua última reunião. "A prudência passa a ter papel ainda mais importante, dentro desse processo, em momentos, como atualmente, nos quais a deterioração do balanço dos riscos inflacionários reduz a margem de segurança da política monetária", destaca a ata da reunião, divulgada nesta quinta-feira, 25.  O Copom reforça que tem optado por uma estratégia que evite volatilidade na trajetória da inflação. "Tal estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e tem se mostrado a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação da política monetária", afirma o Copom. Nesse sentido, o documento reforça a importância das projeções de inflação e de uma ação preventiva por parte da autoridade monetária. No texto, o Copom considera "fundamental" ressaltar a existência de defasagens entre a definição da taxa de juros e seus efeitos sobre a economia. Na ata anterior, o Copom considerava "relevante" ressaltar que existe essa defasagem.  "Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se necessariamente na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes observados para essa variável", diz o documento, após lembrar que "parte importante" do corte de juros implementado ainda não surtiu efeito sobre a economia. Risco Segundo a ata, a pausa no corte dos juros tem o objetivo de "preservar as conquistas no combate à inflação e assegurar que o fortalecimento da atividade econômica continue se dando em bases sólidas".  O documento destaca que o Copom orienta suas decisões com base nos cenários futuros para inflação e outras variáveis econômicas e afirma que a demanda doméstica continua se expandindo a taxas robustas e que diante dos impulsos dos cortes dos juros realizados este ano "continua podendo colocar riscos não desprezíveis para a dinâmica inflacionária". Embora reconheça a contribuição do setor externo para o cenário positivo da inflação, os diretores do Banco Central avaliam que tal ajuda pode "estar se tornando menos efetiva", por conta do forte ritmo de expansão da demanda doméstica.  Além do setor externo, a ata do Copom menciona a importância dos investimentos para retardar o processo de pressão inflacionária que pode ser gerado pela atividade econômica acelerada. O documento ressalta, no entanto, que os efeitos dos investimentos sobre a capacidade produtiva da economia ainda precisam se consolidar. Segundo o documento, a demanda robusta eleva a probabilidade de serem observadas pressões significativas sobre a inflação no curto prazo. Inflação global O Banco Central brasileiro afirma que os riscos inflacionários no mundo parecem estar aumentando. "Estão emergindo sinais que podem apontar para a intensificação de riscos inflacionários em escala global, como indica o comportamento de preços de certas matérias-primas". Por isso, segundo os diretores do BC, as perspectivas para a inflação estão cercadas de maior incerteza. A ata do Copom, no entanto, afirma que as perspectivas de financiamento externo da economia brasileira sugerem que o balanço de pagamentos não deve ser uma ponte de risco para a inflação. Essa análise do BC leva em conta o fato de haver maior incerteza sobre a continuidade do forte crescimento da economia internacional ocorrido nos últimos anos e também considera a maior volatilidade nos mercados internacionais. De acordo com o Copom, aumentou a possibilidade de pressões inflacionárias localizadas que apresentem riscos para a trajetória da inflação como um todo. Isso porque a demanda interna aquecida favorece repasse de alta de preços no atacado para o consumidor.

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