BC cobra plano de capitalização de três bancos

Os bancos Prosper, Luso Brasileiro e KDB Brasil foram obrigados a apresentar um plano de capitalização ao Banco Central (BC) por descumprimento de regras prudenciais para o bom funcionamento do sistema bancário do país. Por sofrerem perdas por conta da crise econômica mundial, as três instituições financeiras fecharam o primeiro semestre deste ano sem ter o capital mínimo necessário para cobrir perdas inesperadas em suas operações de crédito. A informação consta no relatório sobre os 100 maiores bancos do país, divulgado na semana passada pelo BC.

EDNA SIMÃO, Agencia Estado

23 de setembro de 2009 | 18h56

Pela regra atual, um banco precisa ter patrimônio equivalente a, no mínimo, 11% da sua carteira de crédito. O Banco Prosper, no entanto, tinha apenas 7,04% no dia 30 de junho. Já o KDB Brasil possua 8,93% e o Luso Brasileiro, 8,3%.

Com um nível tão baixo do chamado índice de Basileia, as instituições financeiras precisariam ser capitalizadas para expandir as operações de crédito. Caso contrário, os bancos seriam obrigados a diminuir sua carteira para se adequar aos limites de capital exigidos. No Banco do Brasil, maior instituição financeira em ativos do país, segundo o relatório do BC, esse índice corresponde a 15,71%, o que dá uma ampla folga para expandir ainda mais a carteira de crédito.

Por meio de nota divulgada pela assessoria de imprensa, a diretoria do Banco Prosper explicou que, no ano passado, apresentou uma "perda expressiva em renda variável de segunda linha, que foi afetada diretamente pela alta volatilidade gerada pela crise dos mercados, impactando significativamente o patrimônio da instituição".

Segundo a diretoria do banco, medidas já foram tomadas para normalizar a situação. "As medidas cabíveis já foram tomadas pelo Prosper junto ao BC, objetivando o mais rápido possível o enquadramento dos índices, que são referentes ao mês de junho deste ano", informou o Banco Prosper.

O vice-presidente do banco Luso Brasileiro, Otávio Rato, contou que a instituição financeira fez um aumento de capital de R$ 20 milhões e, portanto, já está adequada às regras da autoridade monetária. "Já foi feito um plano com o BC para ficarmos em dia", comentou Rato. Segundo o vice-presidente, o banco sofreu com a crise econômica, o que acabou provocando esse desequilíbrio.

De acordo com Rato, em 31 de julho, a instituição financeira já estava com capital acima do que é exigido pelo BC. O patrimônio do banco equivalia a 17% de sua carteira de crédito no final de julho. Em agosto, com a expansão dos empréstimos bancários, esse número recuou para 16%. Até a publicação dessa reportagem, o KDB Brasil não se pronunciou sobre o assunto.

Para o analista da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu, o descumprimento do limite mínimo de capital por essas instituições financeiras, consideradas de pequeno porte, é pontual e não traz risco ao sistema como um todo. "No Brasil, o descumprimento do índice de Basileia é pontual e o BC, normalmente, é rápido para exigir o restabelecimento do capital mínimo", afirmou Santacreu.

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